Título: Tuma já requisitou documentos
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Fonte: O Estado de São Paulo, 29/05/2007, Nacional, p. A4
O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), manteve a intenção de investigar as denúncias contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), mesmo após as explicações dele em plenário. Tuma já requisitou oficialmente o discurso e os documentos apresentados para dar início à investigação preliminar da denúncia de que o senador alagoano teria despesas pessoais pagas por um empreiteiro. Ele terá prazo de 30 dias para apresentar seu relatório. O corregedor elogiou o discurso de Renan, mas deixou claro que nem por isso pode pôr um ponto final no assunto.
¿Do meu ponto de vista, o presidente deu os esclarecimentos necessários e, preliminarmente, considero que respondeu às acusações, inclusive apresentando documentos. Mas tenho que comparar suas explicações com as de quem fez a acusação¿, explicou o corregedor que, pela função que desempenha, é também membro nato do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado. Ele quer ouvir o jornalista da revista Veja responsável pela reportagem sobre Renan, antes de elaborar relatório a ser encaminhado à Mesa do Senado ou ao Conselho de Ética da Casa.
Foi Tuma que, na condição de mais idoso representante do Conselho de Ética, convocou reunião do colegiado para esta quarta-feira. O Conselho está criado desde o dia 6 de março, mas não saiu do papel, uma vez que não fez sequer a primeira reunião para eleger o presidente. Tuma pediu a reunião do conselho logo depois de as denúncias contra Renan virem a público, na sexta-feira.
¿Eu achei o Renan convincente e senti que ele tem os documentos que comprovam que sua defesa é verdadeira, que disse a verdade em seu discurso¿, comentou o corregedor, depois de acompanhar o pronunciamento. ¿Teve uma coisa importante¿, destacou. ¿O Renan não quis que a Mônica Veloso provocasse o aborto e isto é um fato positivo¿, acrescentou.
Ao menos por enquanto, Tuma admite ter dúvidas da necessidade de o Conselho de ética examinar o caso. Mas ainda que ao final o corregedor conclua pela culpabilidade de Renan, ele não tem poderes para abrir processo disciplinar contra o presidente da Casa.