Título: FHC receita voto distrital misto para combater a corrupção
Autor: Tosta, Wilson
Fonte: O Estado de São Paulo, 29/05/2007, Nacional, p. A8

Em meio a mais um escândalo político que atinge o Congresso e setores do Executivo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) defendeu ontem o voto distrital misto e o financiamento público de campanha para acabar com a corrupção. ¿Ou se introduz o voto distrital misto agora ou não haverá reforma política. Ou fazemos financiamento público ou não se acaba com a corrupção¿, afirmou, ao participar de seminário do PSDB em um hotel de Brasília.

Em discurso de 50 minutos, acompanhado das principais lideranças tucanas, Fernando Henrique disse que o País tem todo o arcabouço da democracia, como voto e as eleições, menos a alma dela, que é a crença de que a lei é para valer e todos são iguais perante a lei.

Para o ex-presidente, assistimos hoje a ¿um contínuo desrespeito¿ da lei. ¿O que dizer dos escândalos que nós assistimos nesses anos todos? Quem está preso? Não precisa ser tanto. Quem passou pelo tribunal para ser absolvido, mas que passe pelo tribunal. Não existe respeito à lei¿, afirmou.

¿Como não existe respeito à lei, como não existe igualdade, voltamos aos velhos tempos de que a lei é para os inimigos e para os amigos se passa a mão. São os estranhos, são pessoas que fazem as coisas um pouco alopradas mas, enfim, coitadinhos¿, disse, sem citar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No ano passado, em meio ao escândalo do dossiê Vedoin, Lula chamou de ¿aloprados¿ petistas suspeitos de estarem por trás da realização do dossiê contra tucanos.

Antes do discurso, no encerramento do evento, FHC acompanhou pela TV o discurso do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e evitou comentar a situação do senador, que em sua gestão foi ministro da Justiça.

¿Não sou senador. Não posso analisar. Espero que ele se defenda.¿ Em seguida, insistiu que tanto o sistema eleitoral quanto o sistema orçamentário precisam ser alterados para evitar corrupção.

Ao lado de governadores tucanos, entre eles Teotônio Vilela Filho (AL) - que tem integrantes de seu governo suspeitos de envolvimento na máfia das obras -, FHC cobrou do PSDB mais energia na defesa do legado tucano. ¿Temos que nos orgulhar da privatização porque ela foi sem roubo¿, afirmou.

O ex-presidente disse que o Brasil cansou do cotidiano ¿da violência, do medo, da corrupção, da mesquinharia¿. E cobrou grandeza, além de posição mais ativa do PSDB, campanha ampla de filiação e um comando partidário voltado a todas as regiões do País com um presidente nacional e cinco vice-presidentes regionais.

O governador de São Paulo, José Serra, também defendeu o voto distrital misto já para as eleições municipais do ano que vem. Segundo Serra, o sistema poderia ser introduzido nas cidades de maior coeficiente eleitoral.