Título: Grampos pautarão ministra do STJ ao tomar depoimento
Autor: Tavares, Bruno e Macedo, Fausto
Fonte: O Estado de São Paulo, 30/05/2007, Nacional, p. A9
O DVD com quase 600 grampos telefônicos produzidos pela Polícia Federal será usado como guia pela ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon, relatora do inquérito judicial da Operação Navalha, na audiência de hoje em que ela tomará os depoimentos de dois governadores - Teotônio Vilela Filho (PSDB), de Alagoas, e Jackson Lago (PDT), do Maranhão - e do ex-ministro Silas Rondeau (Minas e Energia).
Para a PF, as gravações indicam suposto envolvimento dessas autoridades com o esquema da Construtora Gautama para licitações irregulares. Os federais suspeitam que Alexandre Lago, sobrinho de Jackson Lago, recebeu R$ 240 mil. E Rondeau teria ficado com R$ 100 mil, dinheiro que teria sido levado ao gabinete dele pela executiva da empreiteira, Fátima Palmeira.
Um diálogo que a Navalha pegou foi entre o empreiteiro Zuleido Veras, dono da Gautama, e Ivo Almeida Costa, assessor de gabinete do então ministro. Foi gravado em 9 de março de 2007, às 10h18. Durou 52 segundos. Eles conversam sobre Tereza Freire Lima, funcionária da Guatama. Zuleido informa que ¿o negócio¿ vai chegar por ela.
A PF incluiu no arquivo das escutas uma conversa de Fátima Palmeira com Alexandre, sobrinho de Lago. Fátima pergunta se Alexandre pode se encontrar com ela ¿aqui no escritório¿. Antes de responder, o sobrinho de Lago diz que ¿recebe ordens militares¿.
Dois diálogos do governador Teotônio fazem parte do lote de grampos. São duas conversas com Adeilson Teixeira Bezerra, secretário de Infra-Estrutura de Alagoas. O primeiro telefonema ocorreu em 1º de março, às 16h39, e durou 3 minutos e 25 segundos. Eles falam sobre a obra da barragem do Rio Pratagy.
O secretário diz a Teotônio que está reunido ¿com o pessoal do Ministério da Integração¿ e quer falar ¿justamente desse assunto, desses pagamentos¿. Pede ao governador que interceda junto a um empresário, que está cobrando indenização acertada no governo anterior ¿da ordem de grandeza de R$ 300 mil¿. Dali a pouco, novo contato entre Adeilson e o governador, que informa ter falado com o empresário. Segundo Teotônio, o empresário teria ficado sensibilizado. ¿Excelente, governador, ele vai estar bem mais aberto¿, comemora Adeilson. ¿Ligue pra ele e combine¿, diz Teotônio.
GRAMPOS DA OPERAÇÃO NAVALHA
Diálogo entre Fátima Palmeira, executiva da Gautama, e Alexandre Lago, sobrinho do governador do Maranhão, Jackson Lago. A Polícia Federal monitorou o governador em Brasília:
É Alexandre?
Oi
Oi, é Fátima, tudo bom?
Tudo bom doutora, como vai?
Tudo tranqüilo, deixa eu te perguntar uma coisa.
Você poderia dar um pulinho aqui no escritório tipo 10 pras dez?
10 pras dez? (risos). Eu recebo ordens militares, viu doutora?
Ah é, é?
É o gabinete militar que vai definir meu destino.