Título: Augustin, o 'Malan do PT', volta à Fazenda
Autor: Velloso, Thiago
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/06/2007, Economia, p. B6

O novo secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, é oriundo das correntes de esquerda do PT, mas tem fama de durão no controle dos gastos públicos. Quando era secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul, na gestão de Olívio Dutra (1999-2002), antes da era Palocci, Augustin era chamado pela oposição de 'Malan do PT', em referência ao então ministro da Fazenda, Pedro Malan.

O apelido não era gratuito. Como chefe do Tesouro gaúcho, Augustin enfrentava diariamente pressões de antigos correligionários do PT e sindicalistas reivindicando aumento de salário para o funcionalismo público. Era ele também que negociava incentivos fiscais com empresários e, na maioria das vezes, dizia não, tanto para quem queria pagar menos impostos quanto para velhos companheiros querendo ampliar os gastos.

Esse comportamento um tanto ortodoxo para os padrões do PT na época, em um governo de esquerda, chamava a atenção sobretudo pelo fato de Augustin pertencer a uma das correntes mais de esquerda do PT, a Democracia Socialista, de onde também saiu a ex-senadora Heloísa Helena.

Na prática, entretanto, essa aparente contradição fazia parte da própria trajetória de aprendizado do PT. Augustin pertence a uma geração de militantes idealistas, que do dia para noite assumiram responsabilidades nas prefeituras conquistadas pelo PT, no final da década de 80, e com o tempo foram mudando de atitude e percepção sobre a realidade das administrações públicas.

Com história parecida com a de Augustin, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, ex-secretário de Zeca do PT em Mato Grosso do Sul, avalia que seu novo colega de Esplanada tem experiência técnica e sensibilidade política para o cargo. 'O Arno é um cara disciplinado e durão, que, para secretário do Tesouro, é requisito básico', disse Bernardo.

No primeiro mandato do presidente Lula, Augustin teve breve passagem pelo governo, como adjunto do secretário-executivo do Ministério da Fazenda na gestão de Antônio Palocci, de 2003 a 2004. Na época, ele foi responsável pelas negociações da primeira proposta de reforma tributária. Hoje, sua nova função será de dono da chave do Tesouro, responsável pela programação financeira e pelo cumprimento das metas de superávit primário (economia para pagamento de juros).

Augustin já foi um dos secretários de Fazenda que mais batiam na porta do governo federal para pedir mais recursos para a Lei Kandir e flexibilização dos pagamentos das dívidas estaduais. Agora, estará do outro lado do balcão, recebendo demandas parecidas com as que fazia há oito anos, quando o governo gaúcho chegou a interromper o pagamento de sua dívida com a União.