Título: RCTV transmitirá em praça pública
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Fonte: O Estado de São Paulo, 06/06/2007, Internacional, p. A14
A emissora Rádio Caracas Televisão (RCTV), fora do ar desde o último dia 27 por decisão do governo venezuelano, irá transmitir parte de sua programação em telões instalados em praças públicas de Caracas e cidades no interior do país. A decisão foi anunciada ontem junto com o local e data da primeira transmissão: hoje, na Praça Alfredo Sadel, na capital venezuelana.
De acordo com diretores da RCTV, os telões irão exibir capítulos das novelas Mi Prima Ciela e Camaleona, que iam ao ar no horário nobre até o sinal da emissora ser cortado. O público também poderá assistir ao vivo à gravação de programas humorísticos e de auditório, como o campeão de audiência Quem Quer Ser Milionário?
Há 53 anos no ar, a RCTV era a emissora mais popular da Venezuela e a única de alcance nacional que fazia oposição ao presidente Hugo Chávez. O governo venezuelano, porém, se recusou a renovar sua licença para transmitir pelo canal 2 alegando que seus diretores são golpistas e não cumpriram com compromissos legais e fiscais. Nos últimos dias, parte da programação da RCTV tem sido veiculada na internet e pelo sinal internacional da emissora colombiana Caracol. A direção da RCTV diz não ter intenção de mudar suas operações para outro país.
O fim das transmissões da RCTV provocou manifestações de repúdio de diversos países e organizações internacionais, que encararam a decisão do governo como um ataque à liberdade de expressão. Até o Senado brasileiro se manifestou contra a medida, o que levou Chávez a acusá-lo de ser um 'papagaio' do Congresso americano e a abrir uma crise diplomática entre os dois países.
Nas principais cidades venezuelanas, milhares de estudantes estão protestando há mais de uma semana contra o fim das transmissões da RCTV. Ontem, eles organizaram uma manifestação no metrô de Caracas.
Numa conferência em Praga, o presidente americano, George W. Bush, incluiu a Venezuela na lista de países nos quais a liberdade está ameaçada - junto com Usbequistão e Vietnã - e acusou Chávez de 'desmantelar as instituições democráticas' de seu país. No Panamá, uma reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) terminou respaldando a liberdade de imprensa, mas sem nenhuma menção ao caso RCTV em seu documento final - o que pode ser interpretado como uma vitória da Venezuela sobre os EUA.
MERCOSUL
O presidente da Câmara dos Deputados brasileira, Arlindo Chinaglia (PT-SP), defendeu ontem a aprovação do protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul. Na véspera, a oposição havia ameaçado obstruir a tramitação do documento em resposta aos ataques de Chávez ao Congresso. Segundo Chinaglia, os dois temas devem ser tratados independentemente.