Título: Deputado acusa polícia de editar os diálogos
Autor: Brandt, Ricardo e Macedo, Fausto
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/06/2007, Nacional, p. A7

A Polícia Federal de Mato Grosso do Sul foi acusada ontem de editar conversas dos grampos telefônicos, tirando-as de contexto para produzir provas contra os investigados pela Operação Xeque-Mate. A acusação é do deputado estadual Coronel Ivan (PSB), homem de confiança do ex-governador Zeca do PT e ex-comandante-geral da Polícia Militar durante seu governo. ¿Não é justo e tampouco legal que uma frase editada por interceptações telefônicas, sem a necessária compreensão de seu contexto, seja utilizada como forma de condenação antecipada contra quem sequer teve o direito de ser ouvido.¿

Coronel Ivan é apontado no inquérito da Polícia Federal como sócio de um dos grupos que atuavam na máfia dos caça-níqueis, explorando ilicitamente o jogo de azar.

Apesar de não constar como investigado, por ter foro privilegiado, Coronel Ivan seria, segundo a PF, sócio efetivo, com participação nos lucros, de empresários de caça-níqueis. Sua atuação seria também, de acordo com a PF, a de facilitador das ações criminosas, por meio de sua influência dentro da polícia.

Nas conversas grampeadas e selecionadas pela PF, Coronel Ivan reclama que está sendo passado para trás e que quer receber mais. Numa delas, ele aparece cobrando participação de 33% nos lucros de Ari Silas Portugal, preso pela PF e apontado como um dos líderes da máfia dos caça-níqueis.

NOTA

O deputado não quis gravar entrevistas ontem, mas divulgou uma nota. Nela, afirma que ¿é inocente¿ e que ¿os trechos de diálogos pinçados em contexto diverso daquele que se pretende fazer crer não podem servir de prova suficiente para a execração pública de quem sequer foi oficialmente comunicado para prestar esclarecimento¿.

Coronel Ivan garantiu que não há ¿máculas¿ em sua biografia como homem público e disse estar disposto a ¿prestar os esclarecimentos, quando oficialmente comunicado¿. A imprensa, segundo ele, não é o ¿foro adequado¿ para ¿dirimir conflitos dessa natureza¿.

O deputado Coronel Ivan terá até amanhã para prestar esclarecimentos na Corregedoria da Assembléia Legislativa. O prazo foi dado pelo corregedor, o deputado estadual Maurício Picarelli (PMDB).

Picarelli disse ontem que ¿ficou chocado e abismado com os termos dos diálogos¿ em que Coronel Ivan é flagrado cobrando valores dos empresários da máfia dos caça-níqueis. O corregedor disse que vai esperar até quinta-feira para que ele se manifeste formalmente. ¿Senão vou tomar a iniciativa de cobrar explicações.¿