Título: PF pede preventiva de 11 da máfia do jogo
Autor: Brandt, Ricardo e Macedo, Fausto
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/06/2007, Nacional, p. A7

A Polícia Federal pediu ontem à Justiça a decretação da prisão preventiva de 11 acusados de envolvimento com a máfia dos caça-níqueis, mas recuou diante de duas pessoas muito próximas do presidente Lula - seu irmão mais velho, Genival Inácio da Silva, o Vavá, e o empresário Dario Morelli Filho, compadre do presidente e suspeito de integrar a organização.

No início da Operação Xeque-Mate, que mira a exploração de jogos de azar, a PF pediu a prisão temporária de Vavá, o que foi negado pela Justiça Federal de Campo Grande. A polícia enquadrou Vavá pelos crimes de tráfico de influência e exploração de prestígio. Ontem, à Justiça, a PF não renovou o pedido de prisão contra Vavá.

Morelli foi capturado em seu apartamento, na cidade de Diadema, na Grande São Paulo, na manhã do dia 4. Ele é acusado de fazer parte de sociedade que explora o bingo. Continuava preso até ontem à noite, em regime temporário.

Formalmente, a PF enquadrou o compadre do presidente pelos crimes de quadrilha, contrabando e falsidade ideológica. Morelli foi flagrado por grampo telefônico em conversas com os principais suspeitos da Xeque-Mate. Ele também foi avisado antecipadamente sobre a operação deflagrada pela PF, conforme mostram os grampos.

No dia 16 de maio, às 12h35, Morelli ligou para Nilton Servo - ex-deputado estadual e suposto chefe da máfia - e disse que precisava conversar sozinho com ele, porque ¿deu um pepino feio¿. Servo perguntou: ¿É comigo?¿. Ele respondeu que não sabia. ¿Precisa ver.¿

Duas horas depois Servo ligou para sua mulher - Maria Dalva Martins, também presa na operação - e disse que marcou um encontro em uma pizzaria porque Morelli não queria ir até a empresa - a Multiplay, fabricante de máquinas caça-níqueis. Segundo Servo, ¿é por causa desse negócio de telefone, já teve comentário lá de cima¿. Para a PF, quando ele disse ¿por causa do telefone¿, estava se referindo ao fato de a polícia estar monitorando o grupo.

No mesmo dia, horas depois, nova conversa de Servo e sua mulher reforçou as suspeitas da PF. Nela, o empresário disse que Morelli ¿é amigo até debaixo d¿água¿ e ele ¿não ficou nem preocupado que grampearam o telefone dele também¿. Servo afirmou então: ¿Lá em cima, de Brasília, que grampearam.¿

Milton Fernando Talzi, que é advogado de Morelli, afirmou que o empresário não foi incluído no topo da organização. ¿Não há nenhuma prova de que Morelli tenha envolvimento com atividades ilícitas¿, insistiu.

A PF atribui a ele sociedade em uma casa de máquinas caça-níqueis, a Deck Vídeo Bingo, aberta em nome de um laranja, além da prática de corrupção ativa. Morelli atuaria corrompendo policiais para facilitar os negócios ilícitos do grupo.

SEVERO

A PF pediu a prisão em regime preventivo de Nilton Servo, apontado como o líder do grupo. Servo está preso há 10 dias. Dos outros 11 que a polícia quer manter na cadeia, 9 já estão detidos e 2 estão foragidos. O regime de prisão preventiva é mais severo do que o temporário, porque o suspeito fica detido até o julgamento do processo - a menos que consiga um habeas-corpus em algum tribunal superior.

O pedido de prisão, subscrito pelo delegado Alexandre Custódio, foi protocolado à tarde na 5ª Vara Criminal da Justiça Federal de Campo Grande. Hoje, o juiz Dalton Conrado deve decidir sobre o requerimento.

Alexandre Custódio dirige a Operação Xeque-Mate. Ele também deve entregar hoje à Justiça um relatório sobre as investigações, apontando a participação de cada um dos 80 suspeitos, inclusive de Vavá. A PF informou que entre os 11, além de Servo, estariam os empresários do jogo Ari Silas Portugal e Hércules Mandetta.