Título: Associação acusa Fiesp de usar estudo contra Chávez
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/06/2007, Economia, p. B13

A Câmara Venezuelana-Brasileira de Comércio e Indústria acusou ontem a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) de manipular dados para promover 'proselitismo político' contra o Estado venezuelano. Em carta, a câmara rebate estudo da Fiesp que 'induz' à conclusão 'inverídica' de que o governo do presidente Hugo Chávez patrocina a 'inadimplência crônica nos pagamentos aos exportadores brasileiros'.

'Todo cidadão e, conseqüentemente, toda associação tem o direito de defender uma posição ideológica, no entanto, não deve utilizá-la de forma sub-reptícia, como forma de proselitismo político', escreve na nota o presidente da câmara, José Francisco F. Marcondes Neto.

O diretor-adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Carlos Cavalcanti, responsável pela divulgação do estudo, não quis se pronunciar antes de conhecer o teor da carta. Na semana passada, ele declarou que 'a Venezuela não está em moratória, pois nada em petrodólares'. E completou: 'Alguém tem de bater na porta do presidente Hugo Chávez e dizer para ele pagar, porque não dá para agüentar ditador caloteiro.'

A reação dura da câmara tenta desqualificar o estudo da Fiesp, que estima em US$ 100 milhões os pagamentos atrasados por até três anos aos exportadores. A câmara diz que o próprio estudo informa que os débitos com 75 empresas são de US$ 23 milhões e classifica a projeção da Fiesp de 'exagero'. A entidade reconhece pagamentos atrasados de US$ 7,22 milhões, o que está bem abaixo das estimativas da federação das indústrias.

De acordo com o presidente da câmara, ainda que o valor atrasado fosse o apontado pela Fiesp, a cifra é pequena ante as exportações brasileiras para a Venezuela. Em 2006, o País exportou para o vizinho US$ 3,565 bilhões. 'O valor dos atrasos citados (US$ 23 milhões) é equivalente a menos de três dias de exportações brasileiras para aquele mercado e, mesmo se for considerado o valor estimado (US$ 100 milhões), equivale a menos de 11 dias de nossas importações', afirma a nota.

A câmara diz ainda que os exemplos tomados para o estudo representam 'algumas poucas empresas', número muito menor que o universo de exportadores: 2.389 empresas. O país comandado por Hugo Chávez é o 10º principal destino das exportações brasileiras. Em 2006, o superávit comercial do Brasil com a Venezuela foi de US$ 3 bilhões.