Título: Venezuela resiste a reduzir tarifas dentro do Mercosul
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/06/2007, Economia, p. B13
O governo da Venezuela resiste a reduzir tarifas de importação para os demais parceiros do Mercosul e admite que pensou até em suspender as negociações com o Brasil por causa da falta de acordo. A solução foi estender em 180 dias o prazo para que Caracas diga como vai reduzir as suas tarifas após a entrada em vigor do tratado de adesão ao Mercosul.
No Itamaraty, diplomatas admitem que os venezuelanos estão criando dificuldades em vários produtos, como no caso dos celulares produzidos na Zona Franca de Manaus e exportados para a Venezuela. Caracas insiste que precisa de tempo para definir seu cronograma.
Esse comportamento surpreendeu os diplomatas porque a adesão ao Mercosul supõe a harmonização de tarifas. O chefe da missão da Venezuela na Organização Mundial do Comércio (OMC), Oscar Carvallo, confirmou as dificuldades e destacou que parte do interesse de Caracas pelo bloco é 'social' e não apenas o econômico.
O chanceler brasileiro, Celso Amorim, insistiu que um 'avanço' precisa ocorrer. 'Se houver uma área de sensibilidade específica, vamos considerá-la, mas não podemos refazer tudo. Acho que eles já entenderam isso', disse Amorim.
As exportações brasileiras para a Venezuela aumentaram de US$ 600 milhões, em 2003, para US$ 3,6 bilhões em 2006. Mas os venezuelanos ainda mostram pouca disposição de reduzir as suas tarifas para os níveis vigentes no Mercosul.
O prazo do cronograma de redução das tarifas só começará a ser contado no momento em que o Congresso brasileiro ratificar a adesão de Caracas ao bloco. Argentina e Uruguai já deram sinal verde.
O ministro do Trabalho da Venezuela, José Ramon Rivera, garantiu que seu país continua 'interessado em integrar o Mercosul'. Mas voltou a criticar o Senado brasileiro pela moção contra o fim da concessão de uma TV venezuelana.
'Foi uma decisão soberana do governo venezuelano. O Senado (brasileiro) precisa entender que, na Venezuela, as concessões de TV são propriedade do governo. A emissora não está fechada, pode funcionar por cabo e internet. Não está em jogo a liberdade de expressão e não há perseguição política', afirmou Rivera.
As relações entre Brasil e Venezuela ainda ganham mais uma aresta. O Brasil foi quem presidiu a reunião da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que, como revelou o Estado, com exclusividade, exigiu que o governo Hugo Chávez evite interferências nas eleições das presidências dos sindicatos do país. A decisão já foi tomada pela OIT, mas só será divulgada no fim da semana. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, confirmou a decisão, mas não quis comentar.