Título: Procurador abre processo contra irmão de senador
Autor: Lopes, Eugênia
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/06/2007, Nacional, p. A6
O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, abriu dois procedimentos administrativos para avaliar se os deputados Olavo Calheiros (PMDB-AL) e Maurício Quintela (PR-AL) se envolveram no esquema de fraudes em licitações públicas investigado pela Operação Navalha. Se ele concluir que há indícios de participação dos parlamentares na rede, poderá pedir a abertura de um inquérito contra eles.
O procurador abriu o procedimento após receber um relatório da Polícia Federal com indícios de envolvimento dos parlamentares com a máfia das fraudes em obras públicas. As evidências foram levantadas na análise de documentos apreendidos em maio na sede da construtora Gautama e com outros envolvidos no esquema, durante a Operação Navalha.
A PF anexou ao relatório um CD com gravações de conversas envolvendo os parlamentares e documentos que os ligam à quadrilha, que desviava recursos públicos mediante fraudes sistemáticas em licitações em seis Estados, corrupção de autoridades, inclusive governadores e secretários estaduais, superfaturamento e medições fraudulentas de obras não realizadas.
Suspeito de ser chefe das ações da quadrilha em Alagoas, Olavo pode ser alvo de uma devassa patrimonial, bancária e fiscal. A PF levantou também evidências de que ele estaria por trás de um esquema de uso de fazendas em nome da família para lavar dinheiro de origem ilícita - ele é irmão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O esquema teria começado quando Olavo foi secretário de Infra-Estrutura (1994-1998), ocasião em que a Gautama expandiu consideravelmente seus negócios em Alagoas. Ao sair do cargo, ele deixou no posto um aliado do clã Calheiros.
Desde então, todos os ocupantes do posto nos governos seguintes (Ronaldo Lessa e Teotônio Vilela Filho) foram pessoas de confiança de Olavo e Renan, inclusive o último secretário, Adeílson Bezerra, preso na Operação Navalha. Segundo a PF, esses operadores se empenhavam em ajudar a Gautama a conseguir contratos, que a seguir eram superfaturados.