Título: 'Se perder o controle, a dívida volta a explodir '
Autor: Gobetti, Sérgio
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/06/2007, Economia, p. B1

Para Denis Blom, analista da Tendências Consultoria Integrada, a situação de solvência do País ainda é um ponto de atenção, pois depende da geração de superávits primários. 'Se perder o controle, a dívida pode voltar a explodir'.

O que o sr. achou dos números de abril? Foram surpreendentes, superaram as expectativas do mercado. A gente esperava um superávit primário de R$ 17,7 bilhões e veio R$ 23,45 bilhões. É um valor muito forte, devido tanto ao governo federal quanto aos governos regionais e empresas estatais.

O que está por trás desses resultados expressivos? O que está ajudando muito é a arrecadação federal, que tem crescido bastante, por conta do crescimento do nível de atividade, da lucratividade das empresas e do aumento do número de trabalhadores do setor formal.

Tem aumento de carga tributária? Não. O aumento das alíquotas o que a gente percebe, dos impostos de importação, tem efeito marginal, porque representa pouco em termos de arrecadação total. É mais gente pagando imposto.

E os investimentos públicos? Eles não estão se concretizando. A gente ouviu muita propaganda de PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), mas não vê esse dinheiro sendo efetivamente gasto.

Como está a situação fiscal? Ainda é bem delicada. Por um lado, tem uma arrecadação recorde, baseada numa carga tributária que sufoca a população e as empresas. Do outro lado, os principais gastos correntes do governo, que são com a Previdência e com pessoal, também crescem a taxas superiores à do PIB. A trajetória de endividamento está sob controle, mas condicionada à manutenção dos superávits primários. Em abril, o governo conseguiu economizar mais do que pagou de juros, mas esse é um acontecimento típico do mês, de forte arrecadação. Se perder o controle, a dívida pode voltar a explodir.