Título: Petrobrás poderá enfrentar greve
Autor: Caminoto, João
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/06/2007, Economia, p. B11
O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, disse ontem que está negociando com os petroleiros para evitar uma greve na empresa por causa do plano de salários e carreira. 'As negociações já se estendem por três anos e esperamos poder evitar uma greve', disse Gabrielli, após participar de seminário promovido pelo Financial Times, em Londres, sobre energia renovável. 'Mas estamos preparados para enfrentar uma greve', disse ele.
Até a próxima terça-feira, os trabalhadores da Petrobrás vão decidir se fazem, em julho, uma greve de cinco dias, com parada de produção nas refinarias e nos campos de petróleo. A paralisação está sendo discutida ao longo desta semana em assembléias nos 12 sindicatos regionais filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP).
O objetivo dos sindicalistas é forçar a empresa a reabrir as negociação sobre o novo plano de cargos e salários. 'Os petroleiros querem um plano que garanta mobilidade para todos os trabalhadores do Sistema Petrobrás, alternando critérios de merecimento com antiguidade', informa a FUP, em nota.
Segundo a entidade, as negociações foram iniciadas há três anos, mas não houve avanços. 'A empresa deixou sem resposta várias reivindicações e retrocedeu em pontos que haviam sido discutidos coletivamente, como a estruturação das carreiras', diz o texto.
A FUP reclama de diferença no tratamento entre petroleiros e demais funcionários da empresa, que teriam ascendido profissionalmente de maneira mais rápida. Além disso, pede que o novo plano de cargos e salários permita a integração de trabalhadores terceirizados, que, segundo a nota, já são mais de 120 mil.
A ameaça de greve na Petrobrás e também no setor petrolífero da Nigéria, a partir de amanhã, são apontadas por analistas como fatores que vêm pressionando os preços do petróleo nos últimos dias. A Agência Internacional de Energia (AIE) alerta que, caso a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não eleve rapidamente a produção, os preços poderão subir mais.
Indagado sobre o atraso no cumprimento das metas de aumento de produção da Petrobrás neste ano, Gabrielli respondeu que isso decorre, principalmente, de problemas de início de operação em novas unidades de produção neste primeiro semestre. Mas ele salientou que a estatal adicionará uma capacidade de produção de 540 mil barris por dia neste ano.
'Até o fim de dezembro, a produção da Petrobrás vai superar os 2 milhões de barris por dia', afirmou ele. Atualmente a produção da estatal é de 1,78 milhão de barris por dia.
BIOCOMBUSTÍVEL
Gabrielli confirmou que a Petrobrás e a portuguesa Galp estão no 'estágio final' de um acordo para a produção conjunta de cerca de 600 mil toneladas de biocombustível por ano. Segundo ele, o anúncio do projeto, cujo objetivo prioritário é atender ao mercado português, poderá ocorrer durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Lisboa, no dia 4 de julho.
Gabrielli, no entanto, evitou dar detalhes do projeto, alegando que ainda está sendo discutido. 'Ainda não sabemos se será apenas uma usina ou mais de biodiesel, se serão no Brasil ou em Portugal e se a matéria-prima virá do Brasil ou da África, disse. 'Nas próximas semanas deveremos decidir esses pontos, mas o projeto é firme.'
Gabrielli disse também que a Petrobrás negocia, com 21 países, contratos de compra de Gás Natural Liquefeito (GNL) para abastecer o mercado brasileiro, entre eles Omã e Catar.
FRASES
José Sérgio Gabrielli Presidente da Petrobrás
'As negociações sobre o plano de carreira já se estendem por três anos e esperamos poder evitar uma greve. Mas estamos preparados para enfrentá-la'
Federação dos Petroleiros
'A empresa deixou sem resposta várias reivindicações e retrocedeu em pontos que haviam sido discutidos coletivamente'.