Título: Oposição foi omissa, avalia cientista político
Autor: Marchi, Carlos
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/06/2007, Nacional, p. A10

A opinião pública ficou perplexa com a omissão da oposição no caso do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e se não fosse o papel da imprensa ele teria sido absolvido sem que sua eventual culpa fosse devidamente apurada, afirmou ao Estado o cientista político Jairo Nicolau, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Ele acha que o quadro se tornou nebuloso e, no momento, tem final imprevisível.

Nicolau afirmou que o episódio confundiu a opinião pública e, de certa maneira, facilitou a defesa inicial do presidente do Senado. O que passou para a sociedade, opinou o cientista político, foi que, diferentemente de outros episódios polêmicos acontecidos no âmbito do Congresso - como a crise que determinou a renúncia do senador Antonio Carlos Magalhães (então PFL-BA), em 2000 -, a oposição agiu com muita moderação.

Ele lembrou que nem a oposição nem os senadores que normalmente cumprem o papel de zelar pelo patrimônio moral do Senado se empenharam fortemente para acusar Renan. Ficou claro, para Nicolau, que o senador alagoano tem vasta malha de relações políticas e pessoais que o tornam querido - e protegido - pelos senadores.

'O caso só avançou por causa da ação da imprensa, que, após desvendar o episódio, foi atrás de novos testemunhos, checou documentos, investigou pistas e acabou montando um quadro que mostra o relacionamento de Renan com um lobista', disse Nicolau.

FRATURA NA BASE

O cientista político Bolívar Lamounier, da USP, acredita que o governo Lula se empenhará para resolver o episódio Renan Calheiros sem fraturar a sua base parlamentar de apoio. Segundo ele, é provável que a solução se encaminhe para uma punição 'média' a Renan: 'Algo como levá-lo a renunciar à presidência do Senado e receber não mais que uma advertência, sem a perda do mandato de senador.' Para Lamounier, não há mobilização social suficiente para impor uma solução drástica.

Ele interpreta que a grande repercussão do caso se deu por falta de agenda do governo, embora reconheça que um episódio envolvendo o presidente do Senado sempre tem importância relativa. Mas comparando com os casos precedentes - Bolívar cita o mensalão - a importância do caso Renan passa a ser apenas relativa.