Título: Sem Chávez, Cúpula do Mercosul deve ter clima ameno
Autor: Palacios, Ariel
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/06/2007, Economia, p. B19

A reunião de Cúpula do Mercosul, que será realizada em Assunção, no Paraguai, entre os dias 28 e 29, discutirá os subsídios nos países do bloco, incentivos para a industrialização de Paraguai e Uruguai, além do aumento da Tarifa Externa Comum (TEC) para produtos têxteis e calçados.

A lista de assuntos foi elaborada durante a reunião do Grupo Mercado Comum, nesta semana, na capital paraguaia. O clima indica que o encontro dos presidentes não será tumultuada com conflitos comerciais, como em ocasiões anteriores.

A expectativa é de que essa será uma cúpula 'light', uma vez que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, não participará da reunião. Chávez, segundo disse ao Estado Hilva Calderón, coordenadora de imprensa da presidência da Venezuela, parte para Moscou no dia 27, onde realizará uma visita de cinco dias. Na seqüência, vai ao Irã.

Dessa forma, será a primeira vez que o presidente venezuelano não participa de uma cúpula do Mercosul desde julho de 2004, quando seu país começou as negociações para integrar o bloco.

Com sua ausência, Chávez evitará a tensão pela repercussão dos confrontos que mantém com a imprensa de seu país. As atitudes de Chávez - entre elas, o fim da concessão ao canal RCTV - provocaram uma onda de rejeição à entrada da Venezuela no Mercosul, especialmente entre os partidos de oposição dos países membros.

SEM MAQUIAGEM

Representantes dos países do Mercosul concordaram em estudar os subsídios que os sócios aplicam. A idéia é identificar os subsídios que prejudicam o comércio e provocam 'desvios' do fluxo de investimentos dentro do bloco. Esse levantamento será realizado nos próximos seis meses.

Além disso, os representantes concordaram na necessidade de que o Mercosul conte com políticas de incentivos para concorrer com outros blocos comerciais na captação de investimentos. Os negociadores também decidiram que o Mercosul não deve estimular as indústrias maquiladoras nos denominados 'países pequenos' do bloco - Uruguai e Paraguai.

Em vez disso, deve-se financiar empreendimentos produtivos nesses países. Com esse plano, Brasil e Argentina anulariam - ao menos em grande parte - os riscos de que Uruguai e Paraguai façam acordos bilaterais com os Estados Unidos e deixem o Mercosul.

Durante a cúpula, os sócios do Mercosul analisarão a proposta brasileira de aumentar a TEC para calçados e vestimentas para 35%, e para 25% no caso de tecidos. Essa medida implicaria um freio para a 'invasão' de produtos chineses.

A assinatura da ata de criação do Banco do Sul, entidade financeira idealizada pelo venezuelano Hugo Chávez, será adiada, segundo informou o Ministro da Economia do Equador, Ricardo Patiño. O plano original era que os seis presidentes dos países que constituirão o banco assinariam a ata no dia 26 deste mês, durante a abertura da Copa das Américas, em Caracas, Venezuela.

Mas, segundo declarações de Patiño à imprensa em Quito, os presidentes não conseguiram conciliar suas agendas. Dessa forma, a assinatura foi adiada e ainda não tem data definida.