Título: Habilidade garantiu presidência
Autor: Amorim, Silvia
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/06/2007, Nacional, p. A6
O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) venceu sem problemas as duas eleições que disputou para a presidência do Senado. Ele chegou mais alto posto do Congresso em 14 de fevereiro de 2005, sem concorrentes, com o voto de 72 dos 76 senadores presentes. Para substituir José Sarney (PMDB-AP) teve de superar a hostilidade inicial do Planalto, com um misto de obstinação e habilidade, e formou um leque de apoio da base aliada à oposição.
À época, um dos mais empenhados em manter Sarney no posto, o ministro da Casa Civil, José Dirceu (PT), acabou apoiando Renan depois que o então líder do PMDB ajudou a barrar dois pedidos de CPIs, um deles para investigar Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil acusado de corrupção. Renan assumiu defendendo a reforma política, limites à edição de medidas provisórias e a simplificação do Orçamento.
Na reeleição, em 1.º de fevereiro deste ano, Renan bateu o líder Agripino Maia (DEM-RN) por 51 votos a 28. Deserções no PSDB e no PFL - o partido ainda não havia sido rebatizado de DEM -, garantiram a vitória tranqüila na disputa. ¿Qualquer candidato da base que não fosse o Renan perderia a eleição¿, admitiu, à época, o senador tucano Sérgio Guerra (PE), cabo eleitoral de Agripino.
No discurso de posse, Renan voltou a cobrar as reformas tributária e política, com fidelidade partidária. ¿No Brasil, o que morreu não foi a ética. O que apodreceu foi o nosso sistema político¿, afirmou.