Título: Arquivos da CIA revelam segredos da Guerra Fria
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Fonte: O Estado de São Paulo, 23/06/2007, Internacional, p. A28
O diretor da CIA, Michael Hayden, anunciou que serão abertas cerca de 700 páginas de documentos secretos que mostram em detalhes as atividades ilegais da agência nos anos 50, 60 e 70. As ¿jóias da família¿, como são conhecidos os documentos, incluem espionagem, seqüestros, infiltração de agentes em movimentos negros e tentativas de assassinato.
¿A maioria das revelações serão desagradáveis, mas fazem parte da história da CIA¿, afirmou Hayden. Os Arquivos de Segurança Nacional, grupo de estudo dependente da Universidade George Washington que se dedica à pesquisa de documentos secretos, sustenta que o material mostra que ¿a agência violou seus próprios estatutos durante 25 anos¿.
Os documentos começaram a ser recolhidos em 1973, quando o então diretor da CIA, James Schlesinger, alarmado pela participação da agência no caso Watergate, ordenou que fosse informado sobre as operações ilegais de inteligência. William Colby, sucessor de Schlesinger, herdou então uma coleção de arquivos secretos.
Ali estão os planos para matar Fidel Castro, o revolucionário congolês Patrice Lumumba, o ditador dominicano Rafael Trujillo e o chefe do Exército do Chile, o general René Schneider, morto em 1970. Os arquivos também comprovam que a CIA reuniu prontuários sobre 10 mil cidadãos americanos. Entre os deslizes legais está a interceptação de quatro cartas endereçadas à atriz Jane Fonda, que então militava contra a Guerra do Vietnã.
Um documento de janeiro de 1975 revela detalhes sobre o pânico que a eventual abertura dos arquivos causava no governo do então presidente Gerald Ford. O clima de terror era ilustrado até pela maneira como William Colby referia-se aos arquivos: ¿Esqueletos no armário da CIA.¿
O memorando, assinado pelo então secretário de Estado Henry Kissinger e endereçado ao presidente Ford, alerta que, caso as operações da CIA fossem reveladas, ¿muito sangue seria derramado¿. ¿Por exemplo¿, escreveu Kissinger, ¿Robert Kennedy se encarregou pessoalmente de uma operação para assassinar Fidel¿, afirmou, citando o irmão do presidente Kennedy, que ocupou o cargo de secretário de Justiça entre 1961 e 1964, e foi assassinado em 1968. Em uma aparente referência ao golpe militar de 1973, que derrubou presidente chileno, Salvador Allende, Kissinger deixa uma mensagem intrincada: ¿A coisa chilena não está em relatório algum.¿