Título: Maioria desaprova Vavá, mas apóia Lula
Autor: Marchi, Carlos
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/06/2007, Nacional, p. A8
Três quartos dos brasileiros (75,1%) acreditaram nas denúncias de que Genival Inácio da Silva, o Vavá, praticava tráfico de influência; 76,9% aprovaram seu indiciamento; 70,7% acham que a denúncia foi negativa para o governo e para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas nem por isso a blindagem de Lula se debilitou: no 52º mês de governo, 64% (63,7% em abril) aprovam o presidente, a melhor avaliação dos últimos dois anos e quatro meses, e só 29,8% desaprovam (28,2% em abril), segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem (leia mais na página 11).
A avaliação do governo também segue estável. A positiva alcançou 47,5% (49,5% em abril), enquanto a negativa se manteve na casa dos 14% (14,6% em abril). ¿É a economia¿, explicou mais uma vez Ricardo Guedes, diretor do Sensus, acrescentando mais dois motivos do encantamento do brasileiro com o petista - a ação da Polícia Federal, que funciona como uma cruzada contra a corrupção, e os efeitos do Bolsa-Família.
Esse binômio configura, segundo Guedes, a percepção de que o governo Lula ¿prende o rico corrupto¿ e ¿protege o pobre desassistido¿. E, coroando tudo, o carisma do presidente, o que lhe dá uma avaliação sempre melhor que a de seu governo. O resultado da pesquisa confirma o diagnóstico: 47,5% do eleitorado (36% em agosto de 2006) acham que a política econômica tem sido conduzida de forma adequada, enquanto 40,6% (46,3% na anterior) acham que a condução tem sido inadequada.
OS DOIS BRASIS
Mas há avaliações e avaliações. O apoio a Lula continua tendo proporções díspares. No Nordeste, ele tem a aprovação de 78,7%; no Norte/Centro-Oeste, esse índice é de 72%; no Sudeste, cai para 55,4%, e no Sul o porcentual desce para 52,7%. A desaprovação, em escala invertida, é de 15,8% no Nordeste, 22,8% no Norte/Centro-Oeste, 37,4% no Sudeste e 40,9% no Sul.
Na estratificação por renda a situação se repete. Entre os que ganham até 1 salário mínimo, Lula é aprovado por 72,3% e desaprovado por 19,4%; entre os que ganham de 1 a 5 salários mínimos, a aprovação é de 66,1% e a desaprovação, de 27,6%; de 5 a 10 salários mínimos, a escala se move: 53,4% aprovam e 42% desaprovam; de 10 a 20 salários mínimos, os números mudam pouco: 52,3% aprovam e 42,3% desaprovam; já entre os que ganham mais de 20 salários mínimos, apenas 31,7% aprovam, enquanto 65,9% desaprovam.
EXPECTATIVA DESFAVORÁVEL
A aprovação da condução da economia não se traduz, no entanto, em expectativas favoráveis. Apenas 46,5% (50,3% em abril) acham que o índice de emprego vai melhorar nos próximos seis meses; só 44% (eram 49,2% há dois meses) acreditam que a renda mensal vai continuar aumentando no próximo semestre, enquanto 15% (11,1% em abril) pensam que ela vai diminuir. Outra contradição é que o índice dos que esperam melhoras na educação, na saúde e na segurança pública - três vetores nevrálgicos para a população - caiu.
Em abril, 53,5% achavam que a educação melhoraria no semestre seguinte; agora, só 50,4% continuam acreditando nisso (o índice dos que acham que vai piorar pulou de 13,4% para 16,8%). Na saúde, 47,7% esperavam melhora em abril; agora, o índice desceu para 45,4%, dentro da margem de erro da pesquisa (os 17,9% que esperavam piora agora são 20,1%). E na área da segurança, que está em crise, a expectativa favorável desabou: os 42,1% que esperavam melhora hoje são só 36,9%, enquanto os 26,5% que previam piora agora são 30,8%.
Mesmo assim, as avaliações do governo e do desempenho do presidente Lula não foram abaladas. Em abril, 11,7% diziam que o governo Lula era ótimo - agora, são 12,4%; os 37,8% que avaliavam o governo como bom agora são 35,1%. O contingente que avaliava o governo como regular subiu dentro da margem de erro - eram 34,3% em abril e agora são 36,5%. A pesquisa CNT/Sensus fez 2 mil entrevistas em 136 municípios brasileiros entre os dias 18 e 22 de junho, com uma margem de erro de 3 pontos porcentuais.