Título: Consumo do governo avança em ritmo acelerado
Autor: Brandão Junior, Nilson
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/06/2007, Economia, p. B6
A velocidade de crescimento do consumo do governo está aumentando, com base nos dados do Produto Interno Bruto (PIB). Nos 12 meses encerrados em março do ano passado, a taxa de crescimento era de 2%. Esse patamar subiu para 3,4% no mesmo período encerrado no último mês de março. Os dados foram levantados pela consultoria MB Associados.
Pela metodologia das contas nacionais do IBGE, o consumo do governo compreende as informações não apenas do governo federal, mas também das administrações estaduais e municipais, que, segundo o instituto, têm maior peso nesse item do PIB. 'O consumo do governo tem crescido num ritmo intenso há bastante tempo', comenta o economista da MB Associados, Sergio Valle.
Os dados do PIB divulgados ontem mostram que, ainda assim, esses gastos crescem pouco abaixo da economia, que, nos 12 meses encerrados em março, avançou 3,8%. No primeiro trimestre deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado, o consumo do governo subiu 4%, ante um PIB 4,3% maior. Já na comparação com o último trimestre do ano passado, quando a economia avançou 0,8%, o consumo do governo cresceu bem mais: 3,5%.
Pelo lado da demanda, os gastos do governo equivalem a 19% do PIB, fatia inferior ao consumo das famílias, que representam dois terços da economia. Ainda segundo o IBGE, o consumo do governo, simplificadamente, é o conjunto de serviços individuais ou coletivos prestados pelos governos à população, como por exemplo, de saúde e educação pública, defesa, judiciário, órgãos e autarquias públicas.
Esse item não inclui, dentre outros, despesas de investimento e transferências correntes.
PRESSÃO
Dados do Tesouro indicam, por exemplo, que o gasto público federal vem crescendo. 'Há uma política de expansão do gasto público e a idéia é que tem de botar o pé no freio, sob o risco de mais cedo ou mais tarde isso gerar pressão inflacionária', diz Fábio Giambiagi, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ele diz que esse risco pode não ser para este ano ou 2008, mas no médio prazo é incompatível com uma inflação entre 3% e 4%.
O economista explica que os dados do Tesouro mostram que no primeiro quadrimestre do ano os gastos do governo federal cresceram 9,9%, divididos, basicamente, desta forma: transferências para Estados e municípios (10,8%) , folha de pessoal (8,6%), INSS (10,3%) e outras (9,7%).
NÚMEROS
3,4% foi o aumento no consumo do governo nos últimos doze meses, até março deste ano
2% foi a alta registrada no mesmo período do ano anterior
19% é a fatia desses gastos no PIB brasileiro, inferior ao consumo das famílias.