Título: Em votos em separado, oposição defende apuração
Autor: Fontes, Cida e Scinocca, Ana Paula
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/06/2007, Nacional, p. A8
Péres diz que há pontos obscuros; para PSDB, inocentar Renan sumariamente deixaria Senado em situação difícil
Três votos em separado, assinados pelos senadores Demóstenes Torres (DEM-GO), Jefferson Péres (PDT-AM) e pelo PSDB, foram a única oposição ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no Conselho de Ética. Os três contestaram a idéia de aprovar o parecer do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) sem realizar qualquer investigação nem ouvir os envolvidos na denúncia de que ele teria suas contas pessoais pagas pelo lobista da empreiteira Mendes Júnior.
Os votos foram lidos no conselho, mesmo depois de alterada a estratégia de defesa de Renan. Na leitura de seu voto, Péres afirmou que dois pontos permanecem ¿obscuros¿ em relação à origem do dinheiro recebido pela jornalista Mônica Veloso, com que Renan tem uma filha. Um deles é ¿a escolha intrigante, porque desnecessária, de um repassador de recursos, que poderiam ser facilmente transferidos por meio eletrônico¿ ou entregues por Renan.
O outro ponto apontado pelo senador amazonense aparece na ¿descoincidência¿ de datas entre os saques nas contas de Renan e os pagamentos: ¿Os quais, segundo afirmou a beneficiária à imprensa, seriam sempre feitos em dinheiro vivo, regularmente, nos primeiros dias de cada mês.¿
Para o senador, a elucidação desses procedimentos só seria possível mediante investigação rigorosa e imparcial: ¿O rito sumário adotado, a meu ver, tisna este processo com a mácula da ilegitimidade.¿
O líder do DEM, José Agripino (RN), em viagem ao Estado, não compareceu. Para o senador Demóstenes, o único membro do partido que acompanhou a sessão, a absolvição sumária do presidente do Senado repete o alerta do pensador político Aléxis de Tocqueville, ¿para quem todo homem que queira impor à força a verdade absoluta, está quase certo em um estado de erro ou mentira¿.
No voto do PSDB, lido pelo senador Marconi Perillo (GO), destacou-se que inocentar Renan sumariamente colocaria o Senado em uma situação desconfortável: ¿Do outro lado, há a opinião pública, à qual devemos respeito e consideração, que, inegavelmente, pede a complementação que sugerimos (investigação).¿
Os tucanos também salientam que votar o relatório de Cafeteira, sem checar suas conclusões, põe em dúvida a legitimidade do Conselho de Ética de julgar parlamentares.