Título: Meta do Brasil é a 3ª mais alta
Autor: Oliveira, Ribamar
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/06/2007, Economia, p. B1

Com 4,5%, País fica atrás da Romênia e da Indonésia

O Brasil tem a terceira maior meta de inflação entre os 25 países que adotam o sistema de metas, depois da Romênia e da Indonésia, de acordo com pesquisa compilada pelo Banco ABN Amro. A meta brasileira é de 4,5%, com tolerância de 2 pontos porcentuais para baixo ou para cima, o que significa que a inflação pode ficar entre 2,5% e 6,5%. A da Romênia é de 7%, sem tolerância, e a da Indonésia, de 5%, com um ponto porcentual de tolerância.

Considerando a margem de tolerância, a meta brasileira torna-se a segunda mais alta, ultrapassada só pela Romênia, que no próximo ano terá de reduzi-la para 2% para se adequar às regras da União Européia.

Na média, os 17 países emergentes que adotam o sistema de metas têm um índice de 3,6%, com uma margem de tolerância de um ponto. Os oito países industrializados que adotam o mecanismo têm média de 2,1%, com uma margem de tolerância de 0,6 ponto porcentual.

O anúncio da manutenção da meta em 4,5%, na terça-feira, provocou polêmica, especialmente com as declarações de que o Banco Central está autorizado a buscar um índice de 4%.

Economistas do mercado avaliam que a meta poderia ser reduzida formalmente, já que a previsão de inflação do mercado é de 3,7% para este ano e de 4% para o próximo.

Os que defendem o nível atual, como o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, argumentam que a meta não é importante. O que importa é a redução da inflação.

Na avaliação da economista Zeina Latif, do Banco ABN-Amro, responsável pela compilação dos dados, com a economista Tatiana Pinheiro, a manutenção da meta brasileira em 4,5% por cinco anos pode passar aos investidores a impressão de que o País não está se esforçando para melhorar o quadro macroeconômico.

'Já avançamos muito, é inegável, mas, comparando com outros países, pode parecer aos investidores que a política macroeconômica ainda não está totalmente amadurecida', diz Zeina.

Ela observa que é preciso mostrar, especialmente aos investidores estrangeiros, que podem não conhecer o País tão bem e olhar mais para os números, que o Brasil está se esforçando para deixar o índice de inflação mais próximo do de outros países emergentes que adotam o sistema de metas.

A economista diz que estudos feitos pelo banco mostram que a inflação baixa é um dos componentes levados em conta pelas agências na hora de decidir se o país será ou não classificado como grau de investimento.

A obtenção do grau de investimento é o objetivo principal da equipe econômica, já que muitos fundos só podem investir em papéis de governos com esta classificação. O aumento do interesse dos investidores levaria ao aumento da entrada de recursos e permitiria a redução dos juros pagos.