Título: BC pode ratificar meta paralela de 4%
Autor: Oliveira, Ribamar
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/06/2007, Economia, p. B1

Embora considere ter deixado claro que o Banco Central (BC) vai perseguir uma inflação de 4% em 2009, o governo avalia a necessidade de tornar a questão mais explícita. Segundo fontes ouvidas ontem, o BC poderá soltar um comunicado anunciando o seu objetivo, da mesma forma que fez quando informou que perseguiria uma inflação de 5,1% em 2005 e não a meta definida, de 4,5%.

Há uma razão para esse comunicado, segundo as fontes. Até a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) de terça-feira, a política monetária do BC era usada para fazer convergir as expectativas inflacionárias dos agentes econômicos para o centro da meta. Ocorre que, no caso de 2009, o centro da meta de 4,5% está acima da expectativa do mercado, que é de 4%.

Por isso, como lembrou na terça-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao anunciar a meta para 2009, a orientação do CMN não é para 'fazer convergir' a inflação para 4,5%, pois, se fizesse isso, o BC estaria trabalhando para aumentar a inflação. O mercado quer saber, agora, qual é o objetivo do BC para 2009. O governo diz que é uma inflação de 4%, mas isto não está escrito em nenhum comunicado oficial do CMN ou do BC.

Em seu voto ao CMN, propondo a meta de 4,5% para 2009, ao qual o Estado teve acesso, o ministro Mantega diz que 'é preciso ter em conta que a meta pontual que o CMN estabelece deve ser entendida como referência para a atuação do Banco Central e não como um valor que se pretenda atingir com total precisão'.

Segundo o voto de Mantega, a fixação da meta de 4,5% 'não significa que, se as condições macroeconômicas assim o indicarem, o Banco Central não possa perseguir um objetivo de inflação ainda mais reduzida'.

O voto, que foi aprovado por unanimidade pelo CMN, faculta ao BC, portanto, perseguir 'um objetivo de inflação mais reduzida'. Mas o texto de Mantega não esclarece qual é esse objetivo. Diz apenas que 'a meta estabelecida deve buscar a consolidação da redução do patamar da taxa de inflação, devendo, portanto, estar próxima de uma meta considerada apropriada no longo prazo'.

A dedução que se pode fazer do voto de Mantega é que o BC foi autorizado a perseguir um objetivo de 'inflação próxima' de 4%, que é a meta de longo prazo que o próprio ministro da Fazenda julga apropriada para o Brasil. Mas não houve a definição explícita do objetivo do BC.

Além disso, no mesmo voto está dito que o Conselho Monetário 'entende que metas para a inflação de 2008 e 2009 devem ser vistas ainda como de transição em direção à meta de longo prazo'.

O presidente do BC, Henrique Meirelles, avalia agora, segundo as fontes, se explicita em um comunicado o objetivo de inflação que a instituição vai perseguir em 2009 para acabar com os 'ruídos' do mercado.