Título: Commodities terão apoio do governo
Autor: Veríssimo, Renata
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/06/2007, Economia, p. AB7
O governo vai lançar, dentro de dois ou três meses, uma nova política industrial. Receberão apoio do governo os setores intensivos em mão-de-obra, as empresas com potencial de atuação no mercado internacional e as subsidiárias de multinacionais no Brasil.
'A nova política deverá ajudar a fortalecer grandes empresas brasileiras de atuação global em setores em que o Brasil é competitivo, como o de commodities', adiantou o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, apontou os setores de mineração, siderurgia e suco de laranja como potenciais formadores de multinacionais brasileiras. Ele explicou que as condições da economia e de juros no País mudaram e levaram à necessidade de uma revisão da atual política industrial, implantada em 2003 e que englobava os setores de bens de capital, semicondutores, software, fármacos e biotecnologia. Segundo ele, apesar da revisão da política, as ações do governo em benefício desses setores serão reforçadas.
Em audiência pública na Câmara dos Deputados, Jorge e Coutinho disseram que os setores beneficiados com a nova política devem receber linhas de financiamento mais baratas para se modernizar e para aumentar a competitividade das exportações. No caso dos setores intensivos em mão-de-obra, que sofrem com a concorrência internacional por causa da apreciação do real frente ao dólar, Coutinho disse que 'o caminho inteligente' é a inovação para o desenvolvimento de produtos diferenciados, com maior valor agregado, que possam escapar da competição externa.
Coutinho disse que é muito difícil vencer a China e a Índia na questão de custo e preço dos produtos tradicionais. 'Temos que financiar projetos de inovação para produtos diferenciados, que possam competir com uma margem mais alta de lucro', afirmou. Para ele, no entanto, é necessária uma melhora na taxa de câmbio. 'A tendência é que, em alguns meses, a pressão cambial comece a moderar. Mas, enquanto essa questão dos juros e do câmbio não vem, estamos nos empenhando para ajudar os setores', disse.
Uma outra perna da nova política industrial será o apoio a complexos importantes, com presença internacional. 'Nos setores em que há a presença de grandes empresas internacionais, como o automobilístico, a idéia é reforçar o papel das empresas nas subsidiárias no Brasil de maneira a reforçar a base manufatureira brasileira', disse Coutinho.
Segundo ele, os instrumentos podem ser crédito e capitalização de empresas, política tarifária e tributária. Miguel Jorge alertou que há setores importantes da economia que já trabalham com o nível médio de utilização da capacidade instalada acima de 90%, há mais de 12 meses. 'O câmbio no Brasil é flutuante e é natural que a taxa oscile em busca do equilíbrio de mercado. O papel do governo é criar as condições de infra-estrutura, crédito e regulamentação para que a nossa economia ganhe competitividade', afirmou o ministro.