Título: Com dois juízes sob suspeita, TRE discute hoje caso Roriz
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Fonte: O Estado de São Paulo, 02/07/2007, Nacional, p. A5
Segundo revista, senador pagou R$ 1,9 milhão para ser absolvido pelo tribunal
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Distrito Federal vai discutir hoje, em sessão marcada para as 16 horas, que medida deve adotar em resposta à denúncia de que alguns votos do tribunal podem ter sido comprados na decisão, tomada em outubro, que absolveu o ex-governador e senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) no processo em que era acusado de usar uma empresa pública para fazer campanha eleitoral. A edição desta semana da revista Veja informa, com base no que afirma ser fonte próxima do senador, que Roriz usou R$ 1,9 milhão do empresário Nenê Constantino, dono da companhia aérea Gol, para pagar propina a dois juízes do TRE.
O processo contra Roriz foi aberto a partir de uma representação do PC do B, feita em setembro de 2006, acusando o então candidato ao Senado de usar o site da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) para divulgar o número 151, o mesmo usado pela candidatura do ex-governador. Esse era o número de relacionamento da Caesb com a população, mas, por meio de um truque eletrônico, quem acessava o site da empresa assistia a uma animação em que aparecia o 151 de Roriz.
SEM TROCO
A revista alega que não houve ¿troco¿ do cheque de R$ 2,2 milhões de Nenê Constantino descontado por Roriz, em 13 de março, no Banco de Brasília (BRB). Em documentos entregues à Corregedoria do Senado e em discurso no plenário, Roriz sustentou que precisava de R$ 300 mil para pagar por uma bezerra de raça e recorreu ao empresário e ¿amigo íntimo¿ - que também é dono de empresas de ônibus, investidor imobiliário e agropecuarista.
As suspeitas envolvendo Roriz surgiram após ele ter sido flagrado por escutas da Operação Aquarela, da Polícia Civil. Segundo a denúncia, ele negociava o local de entrega e a partilha dos R$ 2,2 milhões com o ex-presidente do BRB Tarcísio Franklin de Moura.
Segundo Roriz, ele tomou R$ 300 mil emprestados e devolveu R$ 1,9 milhão para Constantino. Da tribuna do Senado, Roriz perguntou se era crime pedir dinheiro emprestado a um amigo. ¿Imaginem se pedir dinheiro emprestado é falta de decoro. Meu Deus!¿
O PSOL entrou com representação contra o senador por quebra de decoro, alegando que as explicações não são suficientes e o desconto do cheque precisa ser investigado. O BRB levou uma semana para comunicar a operação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), mas a lei manda fazer a notificação de valores acima de R$ 100 mil em 24 horas.
Segundo a Veja, o R$ 1,9 milhão foi usado para pagar suborno a dois juízes do TRE-DF, que teriam ajudado a absolver o senador. Em conversa com o suplente ao Senado, Gim Argello, Roriz teria confirmado que precisou ¿comprar¿ a decisão do TRE. Argello leu a reportagem no sábado, passou mal e foi internado no Hospital Brasília.
O placar inicial, segundo a revista, estava em 3 a 2 contra Roriz, mas terminou em absolvição por 4 votos a 2 - os votos contra foram dos juízes Estevam Carlos Lima Laia e Romes Gonçalves Ribeiro. O advogado do PC do B, Luis Carlos Alcoforado, recorreu da decisão e entrou com um agravo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em março. O recurso ainda não foi julgado.