Título: Renan fica com um só aliado no trio de relatores
Autor: Scinocca, Ana Paula., Costa, Rosa e Fontes, Cida
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/07/2007, Nacional, p. A5
Marisa Serrano e Renato Casagrande defendem aprofundamento da investigação, enquanto Almeida Lima promete evitar uma `corte marcial¿
O processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no Conselho de Ética será relatado por dois senadores que sempre defenderam o aprofundamento das investigações, Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES). No entanto, a oposição teve de aceitar a indicação de Almeida Lima (PMDB-SE) para completar a relatoria tripartite. Integrante da tropa de choque de Renan, Almeida Lima foi um dos poucos que saíram em defesa do presidente do Senado, na terça-feira, quando parlamentares de oposição e da base aliada pediram que o senador se afastasse.
Hoje, a Polícia Federal será consultada sobre o prazo necessário para concluir a perícia dos documentos sobre venda de gado apresentados pelo presidente do Senado para justificar seus rendimentos. A iniciativa foi acertada ontem, durante reunião dos líderes dos partidos aliados e da oposição com o presidente do Conselho de Ética, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO).
Quintanilha pretendia se reunir com os três relatores hoje pela manhã, antes de se dirigirem à superintendência da PF para conversar com os peritos, mas Almeida Lima viajou ontem a seu Estado para se tratar de uma cólica renal. A visita à PF, porém, ficou mantida. Eles devem deixar o Senado após fazer o cronograma dos trabalhos.
A expectativa dos senadores é de que haja tempo para checar se a venda de gado - que teria garantido a Renan um rendimento de R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos - realmente ocorreu. Em caso contrário, eles esperam que os peritos consigam comprovar eventuais irregularidades nos recibos e notas fiscais apresentados.
Os senadores chegaram ao entendimento sobre a relatoria e o andamento dos trabalhos ontem à noite. Durante todo o dia, houve confronto entre governo e oposição. Enquanto aliados de Renan rejeitavam o nome do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), por acreditar que ele está ¿compromissado¿ com a condenação do presidente do Senado, a oposição recusava a indicação dos peemedebistas Gilvan Borges (AP) e Almeida Lima. A alegação era de que ambos teriam intenção de engavetar o processo.
Finalmente, os líderes José Agripino (DEM-RN) e Arthur Virgílio (PSDB-AM) recuaram e aceitaram Almeida Lima como relator. Segundo eles, a recusa poderia impor nova paralisação nos trabalhos do conselho.
Almeida Lima prometeu não dificultar o processo: ¿As pessoas estão confundindo quando afirmam que faço parte da tropa de choque. Vou agir legalmente, mas em hipótese nenhuma deixarei que o conselho se transforme numa corte marcial.¿