Título: Entrada de dólar até 15 de junho já supera o total registrado em 2006
Autor: Freire, Gustavo
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/07/2007, Economia, p. B5
Fluxo cambial acumulado em 2007 está perto de US$ 43 bilhões; no ano passado, foram US$ 37 bilhões
O fluxo de entrada de dólares no País de janeiro até 15 de junho chegou a US$ 42,887 bilhões. Divulgado ontem pelo Banco Central (BC), o valor já é maior que os US$ 37,27 bilhões de todo o ano passado, quando o ingresso de moeda estrangeira já havia batido recorde. Para o fechamento do ano, as estimativas do mercado variam entre US$ 47 bilhões e US$ 57 bilhões.
O forte ritmo de entrada de dólares foi sustentado pelo crescimento das operações de antecipação das exportações. 'Estamos vendo este movimento desde dezembro do ano passado', disse a economista Zeina Latif, do Banco ABN Amro. As antecipações têm sido o instrumento usado pelos exportadores para se proteger contra a valorização do real ante o dólar. Por meio dessas operações, os exportadores conseguem antecipar o recebimento dos dólares referentes à venda dos seus produtos no exterior.
Em apenas 15 dias de junho, o ingresso de moeda estrangeira chegou a US$ 7,821 bilhões. Mais alto que os US$ 6,944 bilhões de todo o mês de maio, o resultado foi influenciado pela entrada de cerca de US$ 5 bilhões de uma operação de compra das participações de acionistas minoritários da Arcelor pela indiana Mittal Steel.
'Não foi por outro motivo que o fluxo no segmento financeiro do mercado de câmbio ficou positivo em US$ 1,27 bilhão nos 15 dias de junho', disse a economista do ABN Amro. Normalmente, o segmento financeiro do mercado de câmbio - que não inclui operações comerciais - apresenta déficit. Mas já há cinco meses tem sido observado ingresso líquido de divisas nessa conta, o que indica aumento da entrada de capitais de curto prazo.
No mês passado, o BC adotou medidas para refrear a entrada desses capitais voláteis. Mas Zeina Latif acredita que as medidas para conter o crescimento de operações de empréstimos entre matrizes e filiais de bancos estrangeiros ainda não surtiram efeito em junho. 'É bem possível que a posição vendida em câmbio dos bancos ainda tenha terminado o mês passado num valor muito próximo dos US$ 15,790 bilhões de maio.' Espera-se, entretanto, que o impacto maior da decisão do BC de passar a contabilizar essas operações no cálculo da exposição cambial dos bancos ocorra neste mês, quando a medida efetivamente entrou em vigor.
RESERVAS
O ingresso maciço de dólares tem provocado um aumento expressivo das reservas internacionais, pois o BC repetiu, em junho, a estratégia dos meses anteriores e comprou toda a sobra de fluxo nos leilões diários de câmbio. Com isso, só em junho as reservas aumentaram US$ 10,682 bilhões, alcançando US$ 147,101 bilhões no fim do mês. No primeiro semestre, cresceram US$ 61,262 bilhões, volume maior do que em todo o ano de 2006.
Em contrapartida, o fluxo positivo também causa transtornos. O BC teve um prejuízo de R$ 4,752 bilhões em todo o primeiro semestre com as operações de swap cambial reverso, feitas com o propósito de evitar que a enxurrada de dólares provoque valorização excessiva do real. No entanto, o BC não conseguiu evitar que o real se valorizasse 9,6% no período, sendo cotado abaixo dos R$ 2, ainda em maio.
NÚMEROS
US$ 42,8 bilhões é o total da entrada de dólares no País este ano, até 15 de junho
US$ 37,2 bilhões foi o fluxo de todo o ano passado
US$ 7,82 bilhões foi o ingresso de moeda estrangeira em 15 dias de junho
US$ 6,94 bilhões foi o total do mês de maio
US$ 147,1 bilhões é o valor atual das reservas internacionais do País