Título: Decisão sobre dívidas agrícolas sai até dia 15
Autor: Chiarini, Adriana
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/07/2007, Economia, p. B14
Produtores precisam do refinanciamento da dívida das últimas três safras até agosto
Decisões sobre o refinanciamento da dívida agrícola referente às últimas três safras (2004/2005, 2005/2006 e 2006/2007) sairão até o dia 15, a tempo de os agricultores investirem no início do plantio da safra de verão, em agosto, disse ontem o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes
Por enquanto, o tema está sob avaliação de um grupo de trabalho dos Ministérios da Agricultura e da Fazenda, da Câmara e do Senado e de associações de produtores. Entre as medidas em estudo está a proposta de que os agricultores possam pagar até o mínimo de 20% da dívida da safra 2006/2007 que vence este ano e o restante no fim do novo prazo a ser dado. Esse porcentual deve variar por faixas de 20%, de 30% e de 40% conforme a região e o produto, segundo o ministro.
Outra decisão que pode sair em breve é sobre o financiamento das duas safras anteriores, 2004/2005 e 2005/2006, que 'estão sendo jogadas para o fim do prazo, daqui a quatro ou cinco anos.' Os financiamentos foram concedidos principalmente pelo Banco do Brasil, no caso de custeio, e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no de investimento.
CÂMBIO
Stephanes também se queixou do câmbio, que ontem fechou com o dólar abaixo de R$ 1,90, o que reduz os lucros do agronegócio. 'A única coisa de que não gosto é quando o dólar cai demais porque acaba prejudicando aqueles setores que cabe ao ministro da Agricultura cuidar', disse ele, na Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), onde participou do lançamento da campanha 'Café também é saúde', que vai promover o consumo de café durante os Jogos Pan-americanos.
O ministro disse que 'não necessariamente' as exportações agrícolas - que estima em mais de US$ 50 bilhões, ante importações de menos de US$ 6 bilhões - são a causa da baixa cotação do dólar. Ele apontou também o investimento estrangeiro como responsável pela valorização do real. 'O Brasil é hoje um dos países que mais atrai investimento, não só especulativo', disse.
Para ele, 'é hora de o agricultor ganhar um pouquinho mais', mas o dólar baixo reduz esse ganho. Stephanes afirmou ainda que as barreiras comerciais às exportações da agropecuária brasileira 'só vão cair quando efetivamente eles (outros países) precisarem de nosso produto'