Título: Oposição ameaçava dar 'cartão vermelho' a senador
Autor: Rosa, Vera e Leal, Luciana Nunes
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/07/2007, Nacional, p. A4
Caso Renan insistisse em comandar sessão, seria recebido com protesto dos parlamentares no plenário
Cem cartões vermelhos seriam erguidos por parlamentares da oposição diante de Renan Calheiros (PMDB-AL), no plenário da Câmara, se o presidente do Senado insistisse em comandar a sessão do Congresso (que reúne deputados e senadores) marcada para votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), na noite de ontem.
Os oposicionistas poderiam escolher entre quatro modelos: o cartão simples e outros com as inscrições ¿não¿, ¿nego¿ ou ¿desonra¿.
Para evitar desgastes como esse, foi reforçada a mobilização dos governistas para fazer Renan desistir de presidir a sessão.
¿Quando o senador Renan Calheiros entrasse, levantaríamos os cartões, todos nós que questionamos esta situação. Depois, cada líder pediria a palavra¿, contou o líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ), um dos idealizadores do protesto, ao lado de Fernando Gabeira (PV-RJ). Antes do início da sessão conjunta, Gabeira, Chico e a deputada Luciana Genro (PSOL-RS) mostravam o material do protesto que acabou não utilizado. Os deputados também planejavam exibir dezenas de folhas onde estão 15 mil assinaturas de um manifesto contra a corrupção. ¿Fora Renan, fora Roriz e todos os que traem o voto popular, desprezando o interesse público, a transparência e ética na política¿, afirma esse abaixo-assinado.
¿Esta campanha vai continuar. Queremos chegar a 100 mil assinaturas e fazer um varal gigantesco diante do Congresso, no dia 14 de agosto¿, afirmou Alencar.
Os oposicionistas planejavam também um recurso regimental para dificultar a votação, se Renan estivesse à frente dos trabalhos. Exigiriam a presença em plenário do número mínimo de 86 deputados e 14 senadores para começar a sessão. Muitas vezes as sessões do Congresso são abertas sem a presença dos cem parlamentares, desde que não seja pedida a verificação nominal dos presentes.
¿Com a decisão do senador Renan Calheiros, achamos que poderíamos conduzir a sessão de forma mais cordial¿, afirmou Gabeira.