Título: Para colegas, fala da véspera revela abalo
Autor: Rosa, Vera e Leal, Luciana Nunes
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/07/2007, Nacional, p. A4

Oposição vê desequilíbrio em desafio para que adversários `sujem as mãos¿

A declaração feita na véspera por Renan Calheiros (PMDB-AL) de que senadores ¿teriam de sujar as mãos¿ para tirá-lo do comando do Senado, provocou ontem reações que foram da indignação à ironia. Houve também quem atribuísse a postura ¿ao desequilíbrio¿ causado pelas pressões que o peemedebista tem vivido desde que foi acusado de ter despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior.

O líder do DEM, José Agripino (RN), foi o mais duro. ¿Quem está sob investigação não são os parlamentares que estão embaixo, mas as mãos de quem está em cima da Mesa do Senado¿, afirmou o senador.

Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) viu descontrole emocional na declaração do colega de partido. ¿Acho que ele está com o estado emocional abalado. Só a pressão que ele deve estar sentindo pode justificar uma coisa dessa¿, afirmou. ¿É uma colocação infeliz, fora da realidade¿, prosseguiu, acrescentando que quem cobra a saída de Renan é a própria sociedade.

Um dos relatores do caso no Conselho de Ética, Renato Casagrande (PSB-ES) adotou a cautela. Disse apenas ter visto ¿exagero¿ na fala do parlamentar. Também integrante do Conselho de Ética, Heráclito Fortes (DEM-PI), foi na mesma linha: ¿Usou retórica desnecessária. Foi uma colocação infeliz.¿

Jefferson Peres (PDT-AM), foi irônico: ¿Será que, por acaso, ele quis dizer que o processo contra ele é falso e quem for atacá-lo vai terminar se sujando com a situação?¿