Título: Líder preso sempre foi ligado à política
Autor: Tosta, Wilson
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/07/2007, Nacional, p. A10

Ruy Castanheira de Souza, advogado e contador preso pela Polícia Federal na Operação Águas Profundas sob acusação de movimentar o dinheiro desviado por esquemas de fraude na Petrobrás e em ONGs, tem contatos e trajetória marcados pela política. Além de ter ocupado cargos públicos, na campanha de 2006 ele doou R$ 14.460 à deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Foram três contribuições - duas em 2 de agosto (R$ 5.660 e R$ 3.300) e uma em 19 de setembro (R$ 5.500) - que equivaleram a 9,62% dos R$ 150.310 oficialmente arrecadados pela parlamentar na disputa política do ano passado. Solange argumentou que as doações foram legais. Reportagem do Estado revelou ontem que outro deputado, Carlos Santana (PT-RJ), recebeu R$ 50 mil de Castanheira. Santana nega conhecê-lo.

¿Foi uma surpresa (a prisão de Castanheira)¿, comentou Solange, ex-prefeita de Rio Bonito, no interior fluminense, cujo nome foi envolvido na chamada máfia dos sanguessugas - o esquema de venda de ambulâncias superfaturadas a prefeituras, com auxílio de emendas parlamentares ao Orçamento. Ligada ao casal Garotinho, a parlamentar também é um dos 31 eleitos em 2006 no Rio cuja eleição é contestada pelo Ministério Público Eleitoral.

¿Ele fez contribuição como pessoa física, comprou ingressos para um jantar que promovi, eu mesma pedi. Mas acho que nem foi. É uma pessoa muito reservada¿, comentou a deputada. A parlamentar revelou que conheceu Castanheira quando prefeita de Rio Bonito (1997-2004), porque ele era secretário em Silva Jardim, cidade vizinha. Primeiro, foi secretário de Planejamento (1996-1997); depois, de Fazenda (1997-1999).

Antes, Castanheira exerceu o cargo de diretor de Administração e Finanças da Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop), de 1989 a 1991, no governo Moreira Franco (PMDB). Os cargos são citados no currículo que consta na home page da Almir Vieira Assessoria Contábil e Jurídica, empresa sediada em Niterói. Felipe Castanheira, filho de Ruy também preso pela PF, é outro dos dirigentes do escritório.

Na formação do governo Sérgio Cabral Filho (PMDB), Fernando Stérea - também preso na Operação Águas Profundas - telefonou para Wagner Victer, escolhido presidente da Companhia Estadual de Águas e Esgotos, a fim de tentar indicar Castanheira para diretor financeiro. O diálogo foi flagrado pela PF, em escuta telefônica feita com autorização judicial, em 14 de novembro de 2006.

Localizado pelo Estado, o advogado de Castanheira disse, por meio de sua secretária, que atenderia a reportagem, mas até as 22 horas não entrara em contato.