Título: Republicanos rejeitam pedido de 'tempo para o Iraque' de Bush
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Fonte: O Estado de São Paulo, 12/07/2007, Internacional, p. A16

Pressão por retirada das tropas aumenta; Hillary anuncia sua estratégia

Senadores republicanos reuniram-se ontem com o principal assessor do presidente George W. Bush para segurança, Stephen Hadley, para dizer que não concordam em esperar até setembro para discutir a possibilidade de estabelecer um cronograma de retirada das tropas dos EUA do Iraque. O pedido de espera foi feito na terça-feira por Bush, que o justificou dizendo que em setembro o comando militar americano no Iraque deve apresentar um importante relatório sobre os progressos no país.

O fato dos senadores terem contrariado o presidente é mais um indício de que a Casa Branca está perdendo apoio para sua estratégia para o Iraque até entre os integrantes do Partido Republicano. 'Espero que eles (os estrategistas do governo) mudem de idéia (sobre o Iraque)', disse o senador Pete Domenici, um dos parlamentares que se reuniram com Hadley.

O encontro ocorreu logo depois de os senadores Olympia Snowe e Chuck Hagel, ambos republicanos, anunciarem que apoiarão um projeto de lei democrata pedindo o início da retirada das tropas em 120 dias e o fim da ação americana no Iraque no início de 2008. Antes deles, outros cinco parlamentares do partido do presidente haviam tomado a mesma decisão.

Segundo uma pesquisa recente do Gallup, apenas 29% dos americanos apóiam a estratégia de Bush para o Iraque. Os republicanos temem que essa crescente impopularidade do projeto do presidente para o conflito acabe sendo revertida em votos para seus rivais democratas nas eleições de 2008.

A senadora Hillary Clinton, uma das principais pré-candidatas democratas, prometeu ontem começar a retirar os soldados americanos de território iraquiano três meses após ser eleita e convidar outros países a colaborarem para estabilizar o Iraque. 'Isso seria o primeiro passo para estabelecer uma nova abordagem em nossas relações exteriores - uma que enfatize a força de nossas alianças e o poder de nossa diplomacia e só use a força militar em último caso', afirmou Hillary.

Apesar das fissuras no Partido Republicano, os aliados do presidente conseguiram bloquear ontem no Senado, pela quinta vez, uma tentativa de fazer mudanças que afetam a estratégia da guerra no Iraque. Um projeto de lei apresentado pelos democratas, que daria aos soldados o direito de permanecer nos EUA nas folgas pelo mesmo período de tempo que estiveram no campo de batalha, foi rejeitado por 56 votos a 41.

AL-QAEDA MAIS FORTE

Ainda ontem, fontes ligadas ao governo dos EUA disseram que um relatório dos órgãos de inteligência do país sobre a Al-Qaeda concluiu que a organização terrorista se fortaleceu e sua capacidade operacional chegou a níveis só vistos antes de 2001. A conclusão reforça a idéia de que a guerra de Bush ao terror teria fracassado.