Título: Suborno leva China a executar ministro
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Fonte: O Estado de São Paulo, 11/07/2007, Internacional, p. A13

Há dois anos, funcionário havia recebido propina de indústria farmacêutica para aprovar remédios não testados

O ex-chefe da Administração Estatal de Alimentos e Remédios (Aear) da China Zheng Xiaoyu foi executado ontem, após ser considerado culpado de corrupção, informou a agência oficial Nova China. O método de execução não foi divulgado. Zheng, cujo cargo era equivalente ao de ministro de Estado, tornou-se o símbolo da crise relacionada à contaminação de alimentos e remédios chineses, vendidos tanto no mercado interno quanto no externo.

Ele foi condenado por receber cerca de US$ 850 mil em propinas de empresas farmacêuticas para aprovar medicamentos de má qualidade - entre eles, um antibiótico que teria causado a morte de pelo menos dez pessoas.

¿Os poucos funcionários corruptos da Aear são a vergonha de todo o sistema e revelam a existência de sérios problemas¿, disse a porta-voz da agência estatal que fiscaliza a produção de alimentos e remédios, Yan Jiangyang, acrescentando que a China tem um novo plano para reduzir tais problemas até 2010.

Segundo o diretor do departamento de segurança alimentar da Aear, a China arrisca ¿prejudicar sua credibilidade mundial e provocar instabilidade social se não resolver essas questões¿.

Zheng, que tinha 62 anos, chefiou a agência estatal de 1998 a 2005, quando foi destituído e expulso do Partido Comunista sob a acusação de receber propina. Em maio, o Tribunal Intermediário Número 1 de Pequim o condenou à morte por esse crime e por ¿ser negligente no cumprimento de seu dever¿.

A segurança alimentar se tornou uma grande preocupação para o governo da China, principalmente depois da repercussão internacional da descoberta de toxinas em alimentos, rações para animais, medicamentos e outros produtos chineses.

No Panamá, mais de 100 pessoas morreram após ingerir xaropes contra a tosse falsificados, de origem chinesa, e nos EUA uma ração contaminada, também chinesa, matou dezenas de animais de estimação.

GUERRA À CORRUPÇÃO

O combate à corrupção também está no centro das preocupações de Pequim. Nos últimos anos, foram condenados à execução com um tiro na nuca milhares de funcionários, incluindo o secretário-geral do Partido Comunista em Xangai. Só em 2006, 29.966 agentes do governo foram indiciados por corrupção, segundo fontes oficiais, e cerca de 100 mil sofreram processos disciplinares.

¿A execução (de Zheng) foi uma decisão política¿, disse Nicholas Bequelin, pesquisador da organização Human Rights Watch, em Hong Kong. ¿O objetivo era enviar uma mensagem clara ao interior da China para mostrar que o governo não aceitará mais corrupção.¿

Com Zheng, foram condenados dois de seus subalternos. Um deles ficará 15 anos na prisão e o outro será executado se não for aceito seu recurso pedindo a comutação da pena para prisão perpétua.

A última vez que um tribunal chinês condenou à morte um funcionário tão graduado foi em 2000, quando um vice-governador e o ex-presidente da Assembléia do Povo (Parlamento) foram executados por corrupção.

FRANCE PRESSE, REUTERS, ASSOCIATED PRESS E EFE