Título: Dono da Gol era cliente habitual do suplente de Roriz
Autor: Nossa, Leonencio e Filgueiras, Sônia
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/07/2007, Nacional, p. A10
Argello teria tentado intermediar com Nenê Constantino venda de um terreno público de 240 mil metros no DF
O suplente Gim Argello (PTB-DF) é conhecido como corretor de grandes e nebulosos negócios. Como empresário, ele tem ainda outra peculiaridade: o empresário Nenê Constantino, cuja família é dona da companhia aérea Gol, aparece como seu cliente costumeiro.
Em 2006, Argello teria tentado intermediar com Constantino a venda de um terreno público de 240 mil metros quadrados, então cedido à Infraero. Mas uma carta enviada à direção da Terracap (estatal que administra terras públicas no DF), dona do terreno, avisou que a documentação da área era irregular.
A carta foi escrita por Gilberto Oliveira, conhecido empresário do ramo imobiliário em Brasília, que morreu em maio. A advogada Lucineide de Oliveira, irmã de Gilberto, confirmou ao Estado que ele fez a denúncia.
Segundo a revista Veja noticiou, assessores da Infraero ligados ao PTB tentaram influenciar a Terracap a comprar o terreno por R$ 40 milhões, o que daria a Argello, intermediário da venda, uma polpuda comissão de corretagem.
Mas a Infraero desistiu da compra e repassou a área para Constantino, em troca de absorver a dívida que a Infraero tinha com a Terracap. O negócio, dada a escassez de terras no DF, seria vantajoso para o empresário, segundo avaliação do mercado imobiliário local. A carta de Gilberto denunciando o caso pôs fim à operação.
SEGUNDA CARTA
Antes de morrer, Gilberto redigiu uma segunda carta, também confirmada pela irmã, à qual o Estado teve acesso. Nela, o autor citou Argello e Constantino para denunciar novas irregularidades na venda de um outro lote, de 80 mil metros quadrados, que também foi comprado pelo dono da Gol com a intermediação de Argello. Esse novo negócio é investigado pelo Ministério Público do DF.
Os promotores trabalham com a hipótese de que os R$ 2,2 milhões que o ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) recebeu de Constantino, segundo revelou escuta telefônica autorizada pela Justiça, seriam parte da comissão de corretagem pelo negócio. Quando Roriz renunciou ao mandato de senador, abriu a vaga para Argello. Os promotores suspeitam que uma gorda fração desse dinheiro seria destinado a Argello.
O negócio não avançou, mas a história tem ingredientes suspeitos. A área de 80 mil metros quadrados só poderia ser usada para centros de treinamento, mas uma lei aprovada pela Câmara derrubou a restrição, provocando sua valorização.
Lucineide afirmou que que Argello 'participou ativamente do negócio'. A assessoria de Argello disse que ele apenas pediu que o terreno fosse posto à venda em licitação. Procurada, a assessoria de Roriz não deu retorno. A de Constantino também foi contactada, mas ele se recusou a falar.