Título: Análise cogitava largada para corrida nuclear
Autor: Moraes, Marcelo de
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/07/2007, Nacional, p. A12
O fantasma da supremacia nuclear argentina reaparece em outro ponto do estudo produzido pelo Estado-Maior do Exército. É quando são citados os supostos principais interesses estratégicos do país vizinho. O primeiro é justamente 'alcançar, antes do Brasil, e manter a condição de maior potência nuclear sul-americana'. O terceiro item é mais direto ainda: 'evitar a hegemonia brasileira na América do Sul'.
Por conta disso, o estudo chega a simular duas hipóteses específicas sobre a evolução da política nuclear argentina. Se a situação fosse mantida como estava em 1987, sem que o país vizinho tivesse ainda tecnologia de produção de armas nucleares, o estudo previa que o governo brasileiro deveria adotar a 'permanência da atual política, sem haver uma decisão governamental que, de imediato, concretize uma capacitação militar nuclear'.
Mas previam que, se a Argentina acelerasse sua política nuclear, a resposta brasileira seria a de 'tomada de decisão política que, de imediato, concretize uma capacitação militar nuclear'. Em resumo, uma corrida nuclear seria deflagrada na América do Sul. Mas esse cenário nunca se concretizou, já que as supostas ambições nucleares argentinas nunca avançaram significativamente.