Título: 'É retomar o rumo normal do governo'
Autor: Nossa, Leonencio
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/07/2007, Nacional, p. A4
Entrevista
José Eduardo Martins Cardozo (PT-SP): deputado federal
Apesar de admitir que a crise aérea e o acidente com o Airbus da TAM criam uma situação complicada para o governo e a sociedade como um todo, o deputado José Eduardo Martins Cardozo (PT-SP) avalia que a mudança na agenda de viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva marca apenas a retomada do ¿rumo normal¿ do governo. De acordo com ele, o presidente tomou as medidas cabíveis e não tem motivos para desenhar uma estratégia de reencontro com bases eleitorais.
A decisão do presidente de adiar viagens ao Centro-Sul e agendar visitas ao Nordeste pretende amenizar o desgaste com a crise aérea?
O presidente tem de seguir o rumo normal do governo. É natural que, nas circunstâncias que se colocavam, ele tenha cancelado viagens para cuidar de um assunto prioritário. A partir da hora em que o quadro se desenrolou nos últimos dias, medidas que podiam ter sido tomadas ele tomou. Desconheço as razões que determinaram a agenda no Norte e Nordeste. Mas não creio que tenha essa natureza de evitar um eventual desgaste. Não creio que exista a estratégia de reencontro com bases eleitorais para amenizar o desgaste.
Qual avaliação o sr. faz da forma como o governo reagiu ao acidente com o Airbus da TAM?
O governo fez o que pôde. Acredito que esse acidente e a crise aérea não são bons para ninguém. É uma tragédia que tem conseqüências na opinião pública, é muito ruim para todo mundo. Agora, o que o governo poderia ter feito além do que fez? Acredito que existe um histórico de atribuir a situação ao governo. Mas o governo fez o que podia. O presidente falou à Nação, tomou medidas. O importante é continuar fazendo. Imaginar que, numa crise como essa, o governo pudesse ter feito algo diferente é exigir algo impossível de atender.
Mas o assessor da Presidência, Marco Aurélio Garcia, teve uma reação polêmica a esse quadro.
Houve um fato com o Marco Aurélio, mas que é uma pessoa que todos nós consideramos um quadro especial. Houve um incidente, mas o que o governo poderia ter feito a mais? Não vejo. É claro que, aí, setores da oposição vão buscar, como é natural da vida política, imputar esse desgaste ao governo.
A oposição, na sua avaliação, está se aproveitando?
É uma lei da política que as forças oposicionistas peguem qualquer fato que pode abalar o governo para tentar tirar proveito disso. É natural da política. Às vezes até é um pouco cruel. A política é cruel. O ideal seria que as pessoas estivessem todas juntas para tentar equacionar um problema, evitar que fatos como esse se repitam. Mas é natural da política.