Título: Lula afirma que reforma política vai 'arrumar' País
Autor: Monteiro, Tânia
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/07/2007, Nacional, p. A7
Segundo presidente, mudança ajudaria a destravar outras reformas, como a trabalhista e a da Previdência
A reforma política é ¿imprescindível para arrumar o País¿, porque ela ajuda a destravar outras reformas, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso para uma platéia composta por muitos empresários, no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Segundo Lula, as relações trabalhistas precisam ser ¿aperfeiçoadas¿ e a reforma da Previdência já está em discussão no fórum convocado para tratar do desequilíbrio crônico entre receita e despesa no pagamento das aposentadorias dos trabalhadores.
Apresentando-se como líder de um governo que ¿não tem medo de discutir qualquer reforma¿, o presidente foi enfático ao defender a reforma política, depois de ter sido cobrado pelo representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB, d. Luiz Demétrio Valentini, mas ressaltou que o assunto é de inteira responsabilidade do Congresso.
¿Reforma política é como reforma tributária, cada uma tem a sua¿, afirmou o presidente, insistindo na tese de que ela tem de ser conduzida pelo Congresso. Para ele, contudo, a moralização da política começa pelo financiamento publico de campanha. ¿Se nós quisermos moralizar, precisamos ter coragem de discutir o financiamento público de campanha. É mais barato, é mais fácil de controlar. E aí o cidadão eleito não fica devendo favor a ninguém.¿
Lula defendeu também a reforma trabalhista, mas observou: ¿Não é possível continuarem de um lado os empresários querendo rasgar a CLT e fazer tudo de novo, e de outro os sindicalistas querendo manter a CLT e querendo acrescentar algo mais nela.¿
INICIATIVA
Em seu discurso, d. Demétrio afirmou que ¿o momento pede ação incisiva do presidente da República¿ e classificou de ¿indispensável¿ o envolvimento do Executivo no processo de convencimento do Congresso a votar a reforma política, já que ela interessa a toda a sociedade, mas especialmente ao governo. O representante da Pastoral da Terra também pediu ao presidente ¿iniciativa¿ para impulsionar essa reforma.
A proposta acertada pelo CDES indica três eixos que precisam ser aperfeiçoados e fortalecidos: a democracia representativa, democracia direta e as relações claras entre os Poderes Executivo e Legislativo, em relação à questão do processo orçamentário, para acabar com as distorções na aplicação dos recursos e reduzir o risco de corrupção. Pede também o financiamento público de campanha e aprimoramento das regras para migração de partidos.