Título: Concessões dependem dos EUA e da UE, diz Amorim
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/07/2007, Economia, p. B1
O Brasil admite concessões se americanos e europeus também flexibilizarem suas posições. Isso é pelo menos o que garante o chanceler Celso Amorim, em entrevista publicada ontem no jornal indiano The Hindu. Para ele, os países ricos subestimam a 'dignidade' dos países em desenvolvimento nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). Falando sobre o comportamento dos Estados Unidos e da Europa na conferência fracassada de Potsdam da OMC há um mês, Amorim afirma que Bruxelas e Washington 'têm a chave' para desbloquear a rodada.
'Os países ricos precisam aprender que não podem apenas colocar pressão e achar que terão o resultado que queiram', disse Amorim. 'Em Potsdam, eles subestimaram nosso sentido de equilíbrio e dignidade. Não acho que fizeram de má fé. É apenas um velho hábito.'
Na avaliação do chanceler, os países ricos não podem tentar inverter a ordem da negociação, exigindo que as economias emergentes abram seus mercados para produtos industriais antes de saber o que ganharão no setor agrícola. 'O que não se pode é colocar uma faca no peito e dizer que, se não houver movimento em produtos industrializados, não haverá rodada.'
O chanceler admite que a situação hoje está difícil para a Rodada, mas ainda acha que 'não é impossível a conclusão' antes do fim do ano. Para Amorim, a rodada seria a melhor forma de 'combater a pobreza, crime e até o terrorismo'.
ACORDOS
De acordo com o chanceler, o fracasso de Potsdam ainda pode ser um 'bendição disfarçada', pois poderia abrir caminhos para outros acordos entre países emergentes. Mas Amorim deixa claro que a OMC 'continua sendo importante'. 'Nossas relações com o mundo rico não são menores. Precisamos de um sistema e regras estáveis, que nos permitam abrir disputas, como no caso do algodão e do açúcar. Esse sistema é necessário, e não podemos abandoná-lo.'