Título: Entidades empresariais reagem com misto de otimismo e apreensão
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/07/2007, Economia, p. B1

O rascunho de acordo no capítulo agrícola da Rodada Doha, apresentado ontem pela Organização Mundial do Comércio (OMC), foi considerado uma boa base para a conclusão das negociações, na avaliação de representantes da indústria e da agricultura.

'O documento recoloca os países na mesa de negociação e, com alguns ajustes de balizamento nas negociações, é possível que os ministros avancem e fechem um acordo até o fim do ano', disse Carlos Cavalcanti, diretor-adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Segundo ele, a proposta de corte nas tarifas de importação de bens industriais é muito mais ambiciosa do que a de abertura do mercado agrícola. 'Temos de negociar, porque todas as possibilidades colocadas no documento sobre indústria são difíceis de aceitar.'

Para a Confederação Nacional da Agricultura (CNA),apesar de incompleta, a proposta de acordo captou o 'centro de gravidade' das ofertas e das demandas de Brasil e Índia, dos Estados Unidos e da União Européia e, portanto, facilitará o entendimento na OMC.

Segundo a CNA, o texto trouxe outra vantagem especial para a conclusão da Rodada: seu conteúdo está em acordo com o rascunho do capítulo indústria/serviços, que propõe uma abertura já sinalizada como aceitável pelo setor industrial brasileiro em junho passado, em Potsdam (Alemanha).

'Os rascunhos apontaram, finalmente, para uma zona de aterrissagem para a Rodada Doha', afirmou o assessor técnico da CNA, Antônio Donizete Beraldo. 'Além disso, o documento sobre agricultura mostra-se compatível e equilibrado com o corte de tarifas industriais proposto no de Nama (indústria e serviços).'

Na avaliação da CNA, o rascunho sobre agricultura atenderia a boa parte das reivindicações e dos pressupostos do G-20, o grupo de países em desenvolvimento liderado por Brasil e Índia. No caso dos subsídios domésticos, a proposta prevê a derrubada do atual teto dos EUA, de US$ 48,2 bilhões anuais, para uma cifra entre US$ 13 bilhões e US$ 16,4 bilhões.

Os valores são próximos aos sinalizados pelos EUA e pelo G-20 e indicam possível acerto em torno de US$ 15 bilhões.'Essa posição reflete realismo, mas falta incluir mais disciplinas sobre as concessões de subsídios.'