Título: Murici vira principal foco de investigação
Autor: Rodrigues, Ricardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 29/07/2007, Nacional, p. A15
Venda de gado pode complicar Renan no Conselho de Ética.
A invasão na propriedade do deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL) colocou novamente em evidência a cidade de Murici. Mas foi o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), quem despertou a atenção para esse pequeno município alagoano, a cerca de 60 quilômetros da capital do Estado. Para se explicar no Conselho de Ética, ele declarou um rendimento com venda de gado incompatível com a realidade do País, citou empresas fantasmas e acabou acusado pelos sem-terra, junto com o irmão, de grilagem.
Renan responde a processo no Conselho de Ética do Senado por acusação de ter contas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior. Segundo a denúncia da revista Veja, que completou dois meses na semana passada, Gontijo pagaria a pensão de uma filha do senador fora do casamento e o aluguel de um apartamento luxuoso para a mãe da criança, a jornalista Mônica Veloso. Ao negar a acusação, Renan declarou rendimento de R$ 1,9 milhão em quatro anos com atividade agropecuária, para provar que não precisava da ajuda de lobistas.
As transações foram alvo de uma perícia parcial da Polícia Federal, que não confirmou a idoneidade das transações. Após uma série de tumultos no conselho - com direito à renúncia de relatores e até do presidente do colegiado -, foi finalmente encaminhado um novo pedido de perícia à PF, que começou na semana passada.
FANTASMAS
Na sexta-feira, o conselho informou que já havia recebido todos os documentos necessários. Entre eles, papéis enviados por órgãos do governo de Alagoas e pessoas físicas, além de comprovantes de empresas investigadas por suspeita de não existirem legalmente. Essas supostas empresas fantasmas aparecem na defesa encaminhada por Renan ao conselho.
Os últimos documentos vieram da Superintendência Federal de Agricultura de Alagoas, de pessoas físicas que teriam comprado gado de Renan, da empresa Stop Comercial de Carnes e dos matadouros e frigoríficos Mafrial e Mafrips. O presidente do conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), acha possível, mantido o atual ritmo, concluir o processo até o fim de agosto.