Título: Câmara cede servidores e espaço para casamento
Autor: Madueño, Denise e Oliveira, Clarissa
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/07/2007, Nacional, p. A8
Em meio à crise política e à perda de credibilidade do Congresso, as dependências da Câmara foram usadas no sábado passado para a celebração de um casamento. Os noivos, policiais civis do Distrito Federal, receberam cerca de 300 convidados, segundo informações da Câmara, no amplo restaurante do 10º andar do anexo 4 com direito a uma privilegiada vista panorâmica de Brasília. Com o veto da assessoria técnica e da direção da Câmara, o evento só aconteceu com a intermediação parlamentar.
O restaurante funciona por meio de concessão e segue regras da Casa, o que não inclui a abertura nos fins de semana. Fora do horário de trabalho normal da Câmara, o restaurante precisa de autorização para funcionar. Essa exceção foi solicitada pelo gabinete do deputado Sérgio Brito (PDT-BA) na semana passada. O pedetista, por meio de sua assessoria, afirmou que não sabia desse pedido e transferiu a responsabilidade para o seu chefe de gabinete, Humberto Peres.
¿Eu fiz um ofício no sentido de consulta para atender ao pedido do dono do restaurante que queria fazer um jantar de confraternização e eu frisei que seria dentro do procedimento normal da Casa. Não queria nada de ilícito nem ilegal¿, afirmou Peres. Essa, no entanto, não foi a primeira vez que o chefe de gabinete pediu uma exceção. Em outra ocasião, a Churrascaria Pampa foi aberta na noite de sexta-feira para um jantar. O pedido falava em um grupo de 20 pessoas, mas o restaurante atendeu cerca de cem pessoas e, além disso, houve danos a obras de arte que estavam expostas na galeria do 10º andar, segundo informações da Câmara.
Na sexta-feira passada, o segundo pedido do gabinete do deputado Sérgio Brito chegou às mãos do diretor-geral da Câmara, Sérgio Sampaio, que negou a solicitação. Dessa vez, coube ao deputado Laerte Bessa (PMDB-DF) interceder a favor da celebração. O deputado, ex-diretor geral da Polícia Civil do DF, afirmou que foi procurado pelos dois agentes policiais para que ele tentasse liberar o espaço. ¿Eles me disseram que não tinham mais tempo para armar outro local e que já tinham feito os convites¿, disse Bessa. ¿Procurei o presidente Arlindo Chinaglia, mas não o encontrei. Falei na presidência com um assessor do presidente que liberou¿, contou Bessa.
Para evitar mais eventos inusitados nas dependências da Câmara, a direção geral da Casa vai deixar claro por meio de determinação formal a proibição de a churrascaria funcionar fora do horário de trabalho normal do Legislativo. A abertura do restaurante em outro horário exige a mobilização de uma estrutura pública, como seguranças para garantir a integridade do patrimônio e demais funcionários para acompanhar a entrada dos convidados.D.M.