Título: Chinaglia tenta acordo para retomar reforma política
Autor: Madueño, Denise e Oliveira, Clarissa
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/07/2007, Nacional, p. A8
PT fecha questão e vai insistir em financiamento público de campanhas
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), vai tentar um acordo com os líderes partidários hoje para votar alguns pontos da reforma política, depois da derrota na semana passada do item considerado fundamental no projeto, que estabelecia o sistema de votação em lista preordenada pelos partidos. Diante da dificuldade de obter consensos em alterações mais profundas no sistema eleitoral, Chinaglia vai sugerir aos líderes que sejam votados pontos menos polêmicos, como regras de fidelidade partidária e o fim das coligações nas eleições proporcionais.
Os defensores do financiamento público de campanha ainda não desistiram da proposta e vão tentar criar um modelo e articular apoios nas próximas semanas. O financiamento público era o segundo ponto do projeto de reforma política que seria analisado na seqüência de votações, mas as resistências são evidentes. Uma das propostas em discussão agora é fixar o financiamento público exclusivo para cargos majoritários - presidente da República, governadores, prefeitos e senadores.
O PT vai insistir na tentativa de fazer com que campanhas eleitorais sejam financiadas exclusivamente com recursos públicos. Em reunião da Executiva Nacional, em São Paulo, o partido fechou questão em torno do assunto. ¿Acreditamos que é melhor para a democracia¿, afirmou o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), que liderou o encontro.
Colocado como prioridade do PT para a reforma política, o financiamento público teve sua viabilidade abalada na semana passada, quando a Câmara rejeitou o voto em lista fechada - sistema pelo qual o eleitor vota apenas na legenda, com base em uma ordem de candidatos definida pelo partido. A sugestão alternativa, de adotar a lista flexível - em que o eleitor vota primeiro no partido e depois no candidato -, também foi derrubada no plenário.
Especialistas argumentam que o voto em lista seria fundamental para assegurar a fiscalização dos recursos, já que o dinheiro ficaria apenas nas mãos dos partidos. Eles afirmam que, se o dinheiro for distribuído entre milhares de candidatos, o controle adequado será impossível, aumentando até mesmo o risco do caixa 2.