Título: No Senado, Kersul critica vazamento na CPI da Câmara
Autor: Tavares, Bruno e Leal, Luciana Nunes
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/08/2007, Metrópole, p. C6
O chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), brigadeiro Jorge Kersul Filho, mostrou-se irritado ontem com o vazamento da transcrição da caixa-preta do Airbus da TAM, com os diálogos dos pilotos nos últimos minutos do vôo. No início do seu depoimento à CPI do Senado que investiga a crise no setor aéreo, Kersul se queixou do fato de terem sido publicadas as declarações que fez à CPI da Câmara no dia anterior, na sessão secreta que discutiu o conteúdo da caixa-preta.
Ele avisou que retirava tudo o que falara à CPI, porque suas afirmações 'não têm nenhum valor científico, tudo se baseou em hipóteses'. O chefe do Cenipa mostrou indignação especialmente com a alegação dos deputados da CPI, de que as transcrições do conteúdo da caixa-preta do Airbus já tinham vazado para a imprensa e, portanto, não havia mais razão para serem mantidas em sigilo.
Kersul voltou a dizer que ao divulgarem os dados os deputados violaram normas da aviação internacional e isso prejudica o Brasil. Ele argumentou que aparelhos como as caixas-pretas dos aviões foram inventados 'para fazer prevenção, para o erro de uma pessoa não ser cometido por outra, e por isso é importante o sigilo, é importante que os países respeitem os tratados internacionais.'
O presidente da CPI do Senado, Tião Viana (PT-AC), concordou e afirmou que a CPI da Câmara, ao permitir a divulgação dos diálogos, compromete o Brasil diante dos organismos internacionais aeronáuticos. Viana disse que o respeito aos tratados internacionais 'parece que não ocorreu' na CPI da Câmara. Kersul respondeu: 'Não ocorreu ontem e não tem ocorrido.'
O senador Demóstenes Torres (PMDB-GO), que integra a CPI, foi mais longe, ao criticar o desrespeito aos acordos internacionais. Afirmou que todos os 24 deputados da CPI da Câmara 'deveriam perder o mandato por quebra de decoro.'