Título: SP quer trem sem operador
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Fonte: O Estado de São Paulo, 03/08/2007, Metrópole, p. C12
O pagamento da participação nos lucros e resultados reivindicado pelos metroviários pode ser apenas a cortina de um movimento mais amplo, que visa a barrar a automação total do sistema metroviário na capital paulista. Uma licitação já em curso pretende comprar 17 novos trens que poderão funcionar sem operador ou por meio de sistema híbrido, o que evitaria a companhia de ficar à mercê de decisões do sindicato.
Trata-se do driveless, anunciado ontem pelo secretário dos Transportes Metropolitanos José Luiz Portella. 'Uma coisa é a modernização do sistema. Mas tem esse componente de não ficar nas mãos dos sindicalistas', admitiu o secretário.
O driveless já funciona há vários anos no metrô de Paris, na França, nos Estados Unidos, República Tcheca e em alguns países da Ásia. Um dos fabricantes do sistema automatizado, a Siemens, informou que há uma frota de mais de 700 veículos em operação, que transportam mais de 1 bilhão de passageiros por ano.
O sistema no metrô paulista deverá contar ainda com equipamentos de proteção nas estações, para evitar acidentes com os usuários. São placas acrílicas que separam o trem da plataforma e só se abrem quando a composição estiver totalmente estacionada. 'Hoje, os operadores já fazem a maior parte no piloto automático', explicou.
Empréstimos externos no valor de US$ 1,353 bilhão para o Metrô de São Paulo venceram a primeira etapa na burocracia federal. Foram aprovados pela Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex), do Ministério do Planejamento. Agora serão analisados pela Secretaria do Tesouro Nacional e em seguida passarão pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Só então, poderão ser contratados.