Título: Câmbio e balança comercial
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/08/2007, Economia, p. B2

Analisando os resultados da balança comercial do mês de julho, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) se arrisca a fazer uma projeção para todo o ano de 2007, chegando à conclusão de que as exportações somarão US$ 154,1 bilhões, com aumento de 11,5% em relação a 2006, enquanto as importações atingirão US$ 115,3 bilhões, crescendo 24,5%. O saldo da balança comercial ficaria em US$ 38,8 bilhões no ano, com queda de 14,2%.

Essa projeção contrasta com os resultados obtidos nos sete primeiros meses do ano: aumento de 16,9% das exportações, de 27,9% das importações e uma redução de 4,8% do saldo da balança comercial.

Mesmo admitindo que a projeção do Iedi se confirme, contrariando as da maior parte de outros organismos, o Brasil não teria do que se queixar.

Na realidade, é muito arriscado fazer uma projeção para os próximos cinco meses. A semana passada mostrou que a taxa cambial pode se alterar significativamente em razão de fatores externos, favorecendo as exportações, especialmente de produtos semimanufaturados, que em julho apresentaram a maior queda (3,7% pela média diária) em relação ao mês anterior, e desfavorecendo as importações, que ainda aumentaram 5,3%.

Tudo indica que a demanda externa continuará firme e, em particular, no caso dos produtos básicos, cujo volume continua crescendo com elevação dos preços. Sem dúvida, se a desvalorização do real se mantiver no nível da última semana, as exportações poderão aumentar ainda mais. Não se deve dar uma grande importância ao bom desempenho das exportações de produtos manufaturados, que foi influenciado pela venda de aviões e automóveis e que é pontual.

As importações serão mais sensíveis à desvalorização do real, especialmente as de bens intermediários e de bens de consumo duráveis. Nos últimos dias do mês de julho ainda não foi possível captar os efeitos da desvalorização do real, tanto sobre as importações quanto sobre as exportações. Isso exige pelo menos três meses de observação, admitindo que a desvalorização continue a se verificar.

O ritmo da atividade econômica poderá também ditar o nível das importações e é de se esperar que as empresas continuarão investindo, dadas as facilidades de crédito, visando especialmente ao aumento da produtividade que, a médio prazo, terá como resultado a redução das importações de alguns bens.