Título: Lula espera salvo-conduto a Rondeau
Autor: Rosa, Vera e Gallucci, Mariângela
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/07/2007, Nacional, p. A7

Presidente aguarda avaliação de Ministério Público antes de formalizar convite para que ex-ministro volte ao Executivo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aguarda apenas a avaliação do Ministério Público para formalizar o convite ao ex-ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, afastado do governo em maio depois de ser acusado pela Polícia Federal de integrar o esquema da máfia das obras. Lula já pediu a emissários que sondassem Rondeau sobre a possibilidade de retomar o posto. Diante do interesse do ex-ministro, o Planalto espera, agora, a manifestação do Ministério Público como salvo-conduto para justificar seu retorno.

É o MP que vai decidir, a partir das investigações feitas pela polícia, se há ou não indícios para abertura de inquérito contra Rondeau. A expectativa do governo é que a decisão dos procuradores saia na próxima semana e a intenção é tomá-la como atestado de idoneidade. O caso está nas mãos da subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, que, no entanto, aguarda resultado de perícias da PF e informações da Controladoria-Geral da União (CGU).

Lula está convencido de que Rondeau foi ¿injustiçado¿ e planeja reconduzi-lo ao posto. A volta só não ocorrerá, segundo auxiliares do presidente, se o Ministério Público concluir por sua culpa - hipótese considerada remota pelo Planalto. Tanto é assim que até dirigentes do PMDB, partido que indicou Rondeau, já foram informados da intenção de Lula. O senador José Sarney (PMDB-AP), padrinho do ex-ministro, chegou a afirmar, reservadamente, que exigiria retratação da PF. Foi aconselhado, porém, a não confrontar os agentes.

Lula voltou ontem da Europa e, em reunião com ministros, perguntou ao titular de Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, como fora a conversa com Rondeau. ¿Muito boa¿, respondeu Mares Guia, que convidou o ex-ministro para um lanche em sua casa, na quarta-feira. ¿Silas me garantiu que não há absolutamente nada contra ele.¿

Foi nesse tête-à-tête que Mares Guia fez a sondagem. Queria saber se Rondeau aceitaria convite para reassumir Minas e Energia, como revelou o Estado. Não foi a única vez que emissários de Lula o procuraram. Desde que foi abatido pela Operação Navalha - acusado de receber propina de R$ 100 mil da Construtora Gautama -, o ex-ministro recebeu a visita de colaboradores do presidente outras três vezes.

Logo depois que estourou o escândalo, Lula perguntou ao advogado-geral da União, José Antônio Toffoli, se achava que Rondeau estava envolvido com a máfia das obras. Toffoli respondeu que, diante das informações desencontradas, não era possível avaliação consistente. Na terça-feira, porém, o ministro da Justiça, Tarso Genro, disse a Lula que na avaliação dele a PF não tinha provas contra Rondeau. O presidente, então, pediu a Mares Guia que conversasse com ele.

O provável retorno do ex-ministro provocou aplausos do PMDB e protestos da oposição. Para Antônio Carlos Pannunzio (SP), líder do PSDB na Câmara, a articulação em defesa de Rondeau é ¿deplorável e insensata¿.