Título: Papa Bento XVI oficializa hoje retorno das missas em latim
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Fonte: O Estado de São Paulo, 07/07/2007, Vida&, p. A23
Rito em que padre fica de costas para fiéis foi estabelecido no século 16
Será publicado hoje o decreto do papa Bento XVI que libera a realização de missas em latim. A medida busca aplainar arestas com católicos ultraconservadores que jamais abriram mão da liturgia antiga, caso dos seguidores do bispo francês Marcel Lefebvre excomungados por João Paulo II em 1988.
Desde o Concílio Vaticano II (1962-1965), convocado pelo papa Paulo VI, a missa ¿oficial¿ é aquela realizada no idioma de cada comunidade. Já pelos moldes antigos, na chamada missa ¿tridentina¿, ordenada pelo papa Pio V (1566-1572), o sacerdote fica de costas para os fiéis e recita as fórmulas preestabelecidas em latim. Ela nunca chegou a ser proibida por Paulo VI, mas sua celebração ficou condicionada à autorização pelo bispo de cada diocese.
Desde que foi eleito pontífice, em 2005, Bento XVI tem criticado em várias ocasiões o que considera abusos de sacerdotes que apostam em inovações para atrair e animar fiéis. Em sua visita ao Brasil em maio, por exemplo, ele deu, diante do episcopado brasileiro reunido na Catedral da Sé, um claro recado a quem recorre a missas com toques de show e melodias fáceis para estancar a evasão católica - o caso mais conhecido é o do padre Marcelo Rossi, do Santuário do Terço Bizantino, na zona sul da capital. Citando seu predecessor imediato, Bento XVI repetiu na ocasião um ¿veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com grande fidelidade¿ e lembrou que ¿a liturgia jamais é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde é celebrada¿.
CONVERSÃO DOS JUDEUS
Segundo o cardeal Angelo Bertone, o papa vai explicar em uma ¿extensa carta pessoal¿ a medida, que servirá para ¿valorizar novamente a liturgia pré-conciliar e ilustrar sua riqueza¿.
Lideranças católicas britânicas acusam Bento XVI de ¿encorajar quem quer fazer o relógio andar para trás¿ e manifestam receio de que a reabilitação do rito tridentino traga consigo fórmulas anteriores ao Concílio Vaticano II em que se rezava pela ¿conversão dos judeus¿.
A Santa Sé nega essa possibilidade.