Título: Bolívia faz leitura diferente dos contratos, diz Gabrielli
Autor: Palacios, Ariel
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/07/2007, Economia, p. B3
Para presidente da Petrobrás, negócio foi justo e estatal não perdeu com a nacionalização do gás boliviano
O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli de Azevedo, admite que ainda existe uma diferença de interpretação dos contratos assinados entre a empresa e o governo boliviano. Em uma entrevista a jornais latino-americanos, ontem, Gabrielli afirmou: ¿Os contratos com a Bolívia estão definidos. Mas há diferenças de interpretação. Os bolivianos nos dizem que precisamos pagar por coisas e nós dizemos que não¿.
Mais tarde, porém, aos jornais brasileiros, Gabrielli preferiu destacar o fato de que a empresa não perdeu com a nacionalização do gás na Bolívia. ¿Nós temos um contrato de exploração e produção em vigor.Nós vendemos as duas refinarias a um preço justo. A Bolívia pagou a primeira parte e a segunda parte com garantia bancária¿, garantiu.
¿Nós vendemos a refinaria e não perdemos nada. Compramos por US$ 102 milhões, tivemos US$ 139 milhões de lucros de 1999 a 2007, tivemos US$ 126 milhões de dividendos deste lucro e vendemos por US$ 112 milhões. O negócio foi justo. Não ganhamos mais do que devíamos nem a Bolívia pagou menos do que devia. Ela pagou o fluxo futuro do valor da refinaria.¿
Segundo ele, diante do contrato de exploração, a Petrobrás fará um plano de desenvolvimento das atividades na Bolívia. ¿Somos operadores e vamos ter que apresentar um plano de desenvolvimento da produção¿, explicou. Questionado se era bom investir na Bolívia, Gabrielli deixou claro que a decisão não havia sido ¿da atual diretoria da Petrobrás¿.
¿Nós chegamos lá com tudo pronto. Temos que administrar um ativo objetivamente investido que representa hoje para São Paulo 70% do gás do Estado e 50% do gás brasileiro. É uma coisa que temos responsabilidade com o mercado brasileiro, não com o mercado boliviano. Este é o ponto¿, concluiu.
Em relação à atuação da estatal na Venezuela, Gabrielli disse que a Petrobrás está negociando os termos do futuro acordo de parceria para construção de um gasoduto e quer estabelecer regras que impeçam tensões entre os dois países pelo abastecimento, como ocorre entre a Rússia e a Europa.
Ele alertou, porém, que o presidente da Venezuela ¿não tem o direito¿ de fixar um prazo para que o Congresso brasileiro ratifique a entrada do país no Mercosul. ¿O Congresso não pode aceitar¿, afirmou Gabrielli, que ontem esteve em Genebra para reuniões na ONU.
O executivo insinuou que Chávez teria sido injusto com o Senado ao chamá-lo de ¿papagaio dos Estados Unidos¿. ¿O Congresso tomou posições no passado favoráveis à democracia na Venezuela e defendeu Chávez quando ocorreu um golpe contra o presidente.¿