Título: Grampos comprometem pelo menos três prefeitos
Autor: Amorim, Silvia
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/07/2007, Nacional, p. A11
Em interceptações telefônicas realizadas com a autorização da Justiça na Operação Pomar, a polícia flagrou conversas entre três prefeitos e Francisco Emílio de Oliveira, acusado de ser o chefe da máfia da CDHU. Os diálogos vão desde acerto de propinas a pedidos de ajuda para elaborar licitações com cartas marcadas, na avaliação da Promotoria.
No dia 5 de janeiro, Faiad Habib Zakir, prefeito de Iepê, afastado do cargo por causa do caso, telefona para Oliveira. Na conversa, o suposto líder da quadrilha pergunta se ele havia recebido o 'cracacá' - propina, para a polícia. 'Faiad, deixa eu te perguntar um negócio. Mandaram aquele 'cracacá' pra você?', indaga. 'Mandaram', confirma Zakir. Oliveira emenda: 'A verbinha. Ah, então tá bom.' Zakir brinca com o interlocutor: 'Impressionante como você tá sendo pontual, não tô acreditando.'
Dois meses depois, em 13 de março, o prefeito de Pirapozinho, Sérgio Pinaffi, cassado por outro motivo, é flagrado pedindo dinheiro a Oliveira, segundo o Ministério Público. 'Chico, tô ligando porque eu tô precisando daquele negócio', diz. 'Eu ainda não recebi a medição de fevereiro, você entende? Tem de pagar janeiro. Tinha de pagar dia 23 de fevereiro', responde Oliveira, referindo-se ao pagamento das obras da prefeitura.
Em 22 de março, o prefeito de Alfredo Marcondes, Odilo Pavanelo Tumitan, pede orientação sobre quais documentos mandar ao Ministério Público para as investigações. 'É, estão pedindo para todos os prefeitos da região. Pode mandar, não tem problema nenhum', tranqüiliza Oliveira. Tumitan pede ajuda: 'Não era bom você dar uma olhada aqui?' O prefeito foi afastado por prejudicar as apurações, mas voltou por decisão judicial.
As prefeituras de Florínea e São José do Rio Preto também foram pegas nos grampos. Funcionários municipais pedem a integrantes da quadrilha orientação para montar as licitações que seriam vencidas pelas empresas da máfia. 'Eu vou levar uma turminha aí, porque aí instala o sistema, confere o computador, prepara a sala e vê se está tudo ok', diz um dos gerentes da organização a Flávio, que se identifica como funcionário da empresa de habitação da prefeitura de Rio Preto, em 17 de janeiro. No caso de Florínea, um funcionário que se apresenta como Henrique diz, em 3 de janeiro, a outro integrante da organização. 'Eu preciso que ele (outro membro da máfia) venha para cá, ou alguém aí, para dar uma mão para mim, para soltar aquele edital do pregão.'