Título: Acusados negam envolvimento com fraudes
Autor: Amorim, Silvia
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/07/2007, Nacional, p. A11

Ex-prefeito de Lucélia diz que também quer saber quem teria participado

Das 45 prefeituras suspeitas de envolvimento com a máfia da CDHU, 39 foram contatadas pelo Estado. Representantes de outras seis não foram localizados. Das 39, só 14 falaram sobre o caso. As prefeituras de Lucélia, Iepê, Osvaldo Cruz, Presidente Epitácio, Mariápolis, Martinópolis, Mirante do Paranapanema, Irapuru e Santo Expedito, que teriam recebido propina, negaram as denúncias.

'Tenho o maior interesse em saber quem teria recebido esse dinheiro', afirmou o ex-prefeito de Lucélia, Carlos Ananias. A atual gestão disse desconhecer suspeitas, embora haja registro de suposto pagamento de propina em 2005 nos papéis apreendidos pela polícia.

O prefeito afastado de Iepê, Faiad Zakir, flagrado num grampo em conversa com o suposto líder da máfia, Francisco Emílio de Oliveira, informou por meio de sua assessoria de imprensa que um depósito de R$ 5 mil de Oliveira na conta de sua filha foi o pagamento pela venda de um gado. Segundo ele, as interceptações telefônicas não revelam nada além de 'invasão de privacidade'.

O chefe de gabinete da Prefeitura de Oswaldo Cruz, João Pompeu da Silva, disse que as suspeitas recaem sobre a gestão anterior e que a atual não firmou contratos com as empresas envolvidas com a máfia. O ex-prefeito Walter Luiz Martins disse que a comissão de licitação na sua gestão era ocupada por 'pessoas sérias'.

José Antonio Furlan, prefeito de Presidente Epitácio, informou não ter feito nenhuma moradia e que o alvo das investigações é a Associação Renascer. A entidade não foi localizada. As prefeituras de Mariápolis, Irapuru e Mirante do Paranapanema alegaram que as obras suspeitas foram licitadas na gestão anterior. O prefeito de Martinópolis, Antonio Leal Cordeiro, disse que não foi notificado de nenhuma irregularidade. 'Estou curioso para saber quem levou esse dinheiro.'

Garça e Florínea comunicaram que anularam os contratos em investigação. O prefeito de Florínea, Valter Gervazioni, admitiu a conversa entre um funcionário da prefeitura com um integrante da quadrilha. Ele disse que a ajuda foi pedida porque era o primeiro pregão eletrônico na cidade e eles não entendiam muito bem como fazê-lo.

Rancharia diz que pediu à Justiça a rescisão do contrato com a empreiteira e que encaminhou cópia dos documentos à polícia e à Promotoria. O mesmo fez Regente Feijó e Santo Expedito. São José do Rio Preto informou que suspendeu três contratos suspeitos e anulou outros três. Sobre a conversa de um funcionário com a organização criminosa, disse desconhecer o fato.

A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) informou que suspendeu os repasses de dinheiro para 65 obras em 37 prefeituras. 'Somos vítimas nessa história', diz o chefe de gabinete da Secretaria de Habitação, Sérgio Mendonça.