Título: A delicada tarefa de tentar salvar muitas vidas
Autor: Sant¿Anna, Emilio
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/08/2007, Vida&, p. A26

Entre tantas outras que passam pelas mãos da cardiologista infantil Rosa Célia Pimentel Barbosa, as vidas de A.V.S, de 2 anos, e P.G. C., de 6, começaram a ser salvas por uma reportagem. Antes disso, suas famílias corriam por hospitais públicos do Rio, sem ter certeza dos diagnósticos das meninas.

Foi o pai de A.V.S. quem viu primeiro, em uma reportagem sobre o trabalho do Pró Criança Cardíaca, a possibilidade de ela ser atendida pela médica. Até aquele instante, o diagnóstico da menina era apenas um sopro cardíaco.

Após a primeira consulta, veio a constatação de que a menina tinha, na verdade, uma má formação congênita na válvula cardíaca e precisaria obrigatoriamente passar por uma cirurgia. ¿Foi uma época muito difícil, pois os hospitais estavam sob intervenção federal e não conseguíamos encontrar vaga em nenhum lugar¿, diz Ana Kelly Ribeiro da Silva, de 34 anos, mãe da garota.

A mãe acredita que, se não fosse por um ¿encaixe na agenda da doutora¿, a doença de A.V.S dificilmente seria descoberta. Com uma renda de cerca de R$ 1 mil, a família - que mora em Del Castilho, zona norte do Rio - não tem condições de pagar um convênio médico. ¿Não teríamos como pagar uma cirurgia como essa¿, diz Ana.

A sorte de P.G.C, de 6 anos, começou a mudar quando sua mãe, Iracema Carneiro, de 36 anos, assistiu a uma entrevista da médica na televisão. Com um problema similar ao de A.V.S, desde os 3 anos a garota é atendida no projeto de Rosa. Há pouco mais de dois meses, foi operada pela médica no Hospital Pró Cardíaco e se recupera bem.

As más formações congênitas, como a das duas meninas, são alguns dos problemas cardíacos infantis que necessitam ser operados com mais freqüência. De acordo com a cardiologista Ieda Biscegli Jatene, chefe do Serviço de Cardiopatia Congênita do Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, exames como o ecocardiograma fetal podem identificar a má formação ainda durante a gestação.

No entanto, Ieda explica que mesmo o ultra-som que normalmente é feito nos exames de pré-natal pode mostrar os indícios do problema. Para isso, o médico deve estar bem treinado, para encaminhar a gestante a um especialista.