Título: Oferta era de ¿ 100 mil, revela cubano
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/08/2007, Nacional, p. A11
Em entrevista, boxeadores Rigondeaux e Lara dizem, porém, que recusaram propostas para trabalho na Alemanha
Na longa entrevista que deram ao Granma, jornal oficial do PC cubano, assim que chegaram à ilha, no domingo, os boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara afirmaram que lhes foi oferecida uma quantia - Lara disse que, para ele, seriam ¿ 100 mil (R$ 260 mil) - para que se tornassem lutadores profissionais na Alemanha.
Rigondeaux garantiu que eles recusaram os convites e não assinaram nenhum contrato. Os dois repetiram que resolveram não voltar à Vila Pan-Americana porque não passariam na prova de peso antes de suas lutas. A seguir, trechos dos depoimentos que deram, em separado, à jornalista Julia Osendi, do Granma:
ERISLANDY LARA
¿Saímos, Rigondeaux e eu, para comprar umas coisas, um Playstation, roupas para nós e as crianças, e no caminho nos interceptou um cubano de nome Alexis, que andava com outro sujeito. Tomamos táxi, bebemos, compramos o Playstation e fomos a um bar. No bar começamos a beber, e dali fomos a um cabaré.¿
¿Sentimo-nos mal, enjoados, e já nos trouxeram mulheres. Como lutaríamos no dia seguinte, tínhamos medo de voltar à Vila. Tínhamos comido e bebido e sentíamos medo pelo peso, que no boxe é sanção das mais graves. E resolvemos ir com eles.¿
¿Fomos à praia e começaram a fazer-nos ofertas para que fôssemos lutar como profissionais na Alemanha. Inclusive a mim me insinuaram uma certa quantidade de dinheiro, como ¿ 100 mil, e eu disse que não, que nós íamos voltar a Cuba. Falavam seguidamente que iríamos ficar milionários. Dissemos que não, e ficaram bravos e nos deixaram com um brasileiro. Tivemos ajuda de um pescador para chamar a Polícia Federal. Em 20 minutos a polícia estava conosco e detiveram o brasileiro e o prenderam.¿
GUILLERMO RIGONDEAUX
¿Não assinamos nenhum contrato, eles nos faziam as propostas e nós, o tempo todo: `Não. Queremos ir para Cuba.¿ Falamos com o comandante da polícia, que perguntou: `Vocês querem voltar a Cuba?¿ E nós: `Sim, queremos voltar a Cuba.¿ Se era mais fácil voltar à Vila? Sim, mas nos dava medo porque traz uma grave sanção. Agora (em Cuba) é grave também. Estamos dispostos a fazer o que seja, porque não se pode voltar atrás.¿ G.M.F.